Publicado por: Dirceu Rabelo | 23/08/2010

A necessidade de um porquê.

A necessidade de um porquê.

  Dirceu Rabelo (será?)

                                                Para Delasnieve Daspet

 

Releio Nietzsche e me assusto mais uma vez.

Relaxo-me com um reconfortante Topamax.

Além de sua autêntica e profunda loucura

em busca de explicações de coisas

que ele próprio não sabia explicar,

acusa os poetas (como ele), de serem filósofos.

.

E por quê? Porque formulam sempre porquês.

Diz ele: para um poeta, uma folha que cai,

não é somente uma folha que cai,

como um simples mortal a vê caindo.

Vem-lhe a dúvida.

Para o poeta, uma folha que cai pode ser levada pelo vento,

ou arrastada pela correnteza do riacho,

ou cair revoluteante à margem do regato.

.

E para Nietzsche a pergunta é, muitas vezes,

a antecâmara da dúvida.

Ou a dúvida, quem sabe, a antecâmara de uma pergunta?

Meio na dúvida, começo a concordar com Nietzsche.

Deve ser como partícula e antipartícula, afora o hífen.

Entenderam? Nem eu! Nem o antieu…

.

Tomo meu Seroquel de 100 mg, e fico parado,

sistematizado, nesta dialética trágica

que me traz o tumultuário para minha mente,

já bastante combalida.

.

Digo boa noite a Nietzsche, que permanece de pé, ali

na cabeceira de minha cama,

encaracolando com o dedo, seu bigodão,

trajando uma vistosa farda de Napoleão.

E no peito, uma suástica, bem ao seu jeito.

.

Ele sorri para mim e ajeita a minha camisa de força.

E eu durmo como um anjo, louco, mas anjo;

pensando ser poeta e, portanto, filósofo.

Que isso nunca chegue aos ouvidos de mamãe! 

(Publicado no dia 21 de agosto de 2010 no Blog da “Associação Internacional dos Poetas del Mundo”). 

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Responses

  1. Em geral, é muito difícil ficar impune após a leitura de Nietzsche. As razões são inúmeras, e tanto mais as fixamos outras surgem, como se vazasse água por todos os lados. Há dias em que o pensador nos empurra para frente e torna tuda mais claro e agradável, mas há outros que a medusa pensante invade nossa cabeça. Por isso é preciso ter um certo cuidado, no sentido carinhoso do termo; é preciso ingerí-los em doses certas, cuja medida é dada a cada situação.

  2. Jairo, caro novo amigo. Juro-lhe que não fui em nenhum momento sarcástico com Nietzsche em meu poema. Pelo contário, prestei-lhe tributo! Até na suástica no peito (ele foi bastante chegado às idéias de Hitler, depois, as execrou). E não pense que não gosto de suas ditas “nóias”. Tanto é que já tenho lá em casa mais um livro dele engatlhado que comprei num sebo em Belo Horizonte. Outra coisa: eu não o leio em doses homeopáticas. Vou logo enchendo a cara e que se dane a ressaca.
    Grande abraço e por favor, dê mais pitacos, porque você é dos bons.

  3. Papo de filósofo e não de biólogo! rsrs

  4. Papo de filósofo e maluco, isso sim!


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