Publicado por: Dirceu Rabelo | 08/09/2010

A Questão 202

 A QUESTÃO 202

Francisco Cândido Xavier

“Em nossa reunião pública, entre os visitantes amigos que procediam de cidades diversas, predominavam as perguntas sobre os conflitos psicológicos que estão merecendo longos estudos em toda a parte. Os comentários em torno do assunto eram os mais animados. Quando as nossas tarefas tiveram início, O livro dos espíritos nos ofereceu a questão 202 e as explanações prosseguiram.

No fim das atividades programadas, o nosso caro benfeitor espiritual escreveu a página Conflitos Psicológicos, que lhe envio para os seus oportunos estudos.”

 

CONFLITOS PSICOLÓGICOS
Emmanuel

Tão fácil julgar os conflitos sentimentais que surjam nos outros!

Habitualmente, a opinião pública na Terra quase que até agora, em assuntos de sexo, se restringia a entender e aprovar os que se davam ao casamento e a estranhar ou reprovar os que se mantinham em celibato.

A evolução, no entanto, descortinou as ciências psicológicas da atualidade e as ciências psicológicas empreenderam o estudo das complexidades da alma, quase a lhe operarem o desnudamento.

E os problemas do sexo vão sobrando em escala crescente.

Casados e solteiros, jovens e adultos, quando em lutas emocionais, apresentam distúrbios afetivos e impulsos ambivalentes, insatisfação e carência de ordem sentimental, dificuldades através de condições inversivas e fenômenos diversos da bissexualidade.

Sempre valiosa a contribuição da psicologia em socorro de quantos se identificam no mundo em situação paranormal, nos domínios do afeto, particularmente quando ensina os pacientes a conquista da autoaceitação. Entretanto, sem os princípios reencarnacionistas, definindo a posição de cada espírito segundo as leis de causa e efeito, qualquer tipo de assistência às vítimas de desajustes psicológicos resultará incompleto.

Nesse sentido é preciso recordar que todas as lesões afetivas que tenhamos imposto a alguém repercutem sobre nós, criando lesões consequentes e análogas em nosso campo espiritual.

Esse terá traumatizado almas queridas com os assaltos da ingratidão e se corporificou de novo no plano terrestre, suportando os chamados desequilíbrios congênitos; aquele provavelmente haverá precipitado corações sensíveis em despenhadeiros do sentimento, e renasceu carregando frustrações sexuais irreversíveis para todo o curso da própria existência; outro perseguiu criaturas irmãs do sexo oposto, mergulhando-as em desespero e deliquência, e terá voltado à Terra em condições inversivas; outros terão solicitado a própria internação em celas morfológicas de formação contrária aos seus impulsos mais íntimos, de modo a se isolarem transitoriamente para o desempenho de tarefas determinantes, e nem sempre toleram as provas e empeços da própria escolha; e outros muitos ainda, que impuseram suicídios e crimes, traições e deserções a pessoas que lhes hipotecavam integral confiança, retornam a experiência física sofrendo tribulações complexas que variam conforme o grau da culpa com que dilapidaram a harmonia de si mesmos.

*

Diante dos nossos irmãos de Humanidade em problemas sexuais, saibamos administrar-lhes amor e esclarecimento ao invés de menosprezo ou condenação.

Normalidade física não quer dizer no mundo que os nossos débitos das existências passadas fiquem extintos. Em razão disso, muitas vezes, é possível que amanhã estejamos rogando amparo justamente àqueles aos quais hoje estendamos auxílio.

*

Encerrando os nossos apontamentos, lembremo-nos de que Allan Kardec formulou a questão número 202, em O livro dos espíritos, indagando da espiritualidade superior quanto à preferência dos amigos desencarnados, ante o renascimento no mundo, a perguntar para que setor da vida humana mais se inclinavam: se para o campo de trabalho do homem ou da mulher. E os mentores da codificação kardequiana responderam convincentes:

– Isso, na essência, não lhes importa. Vale, sim, para eles, acima de tudo, a prova que lhes compete experimentar.

 

ACÚSTICA PSICOLÓGICA
Irmão Saulo

No sentido orgânico, biofisiológico, os espíritos não têm sexo, pois não possuem o corpo material e não se reproduzem. Mas o sexo vegetal, animal e humano é simples manifestação de polaridade. Há, portanto, um problema espiritual de polaridade semelhante ao das correntes de energias que conhecemos, determinando a condição íntima do espírito e sua posição masculina ou feminina.

Por isso, nos planos inferiores da espiritualidade, nas regiões de transição do plano físico para o metafísico, as regiões infernais das religiões clássicas ou as regiões umbralinas da concepção espírita, o corpo espiritual das entidades reproduz as condições sexuais que tiveram na vida terrena. Os íncubos e súcubos da Idade Média são exemplos dessas formas grosseiras de espíritos inferiores.

As manifestações desses seres inferiores confundem muitos estudiosos e médiuns videntes que não aceitam a tese espírita de que os espíritos não têm sexo. Simples falta de melhor discernimento doutrinário.

Mas, como ensina Emmanuel em sua mensagem, as lesões afetivas que produzimos nos outros repercutem em nós “criando lesões consequentes e análogas em nosso campo espiritual”. É um fenômeno de acústica psicológica, semelhante aos da acústica física e fisiológica das teorias de Helmholtz.

Os problemas sexuais, portanto, fazem parte da lei geral de ação e reação, que determina as nossas provas e expiações. Essa a razão por que as vítimas de desequilíbrios nesse campo não devem ser encaradas e tratadas com a repulsa brutal e hipócrita do passado. Os que assim procedem, faltando com a caridade, podem estar preparando para si mesmos situações semelhantes no futuro.

Mas isso não justifica a aceitação em termos de normalidade, como hoje se pretende, pois então estaríamos endossando e estimulando o desequilíbrio e sua propagação, ao invés de ajudar as suas vítimas a se reequilibrarem. Emmanuel recomenda a aceitação caridosa do doente, mas recomenda que lhe apliquemos a terapêutica de “amor e esclarecimento, ao invés de menosprezo ou condenação”. Porque foi assim que Jesus procedeu com os desequilibrados do seu tempo, desde o endemoninhado geraseno até a mulher adúltera.

 

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