Publicado por: Dirceu Rabelo | 15/09/2010

Nota de Falecimento!!!

Nota de falecimento!

Dirceu Rabelo

 

A família de Uecrid Zamoht Olebar cumpre o doloroso dever de comunicar o seu falecimento ocorrido ontem, aqui em Dom Joaquim. Seu corpo está sendo velado em sua residência, “na” Rua São Geraldo. Seu sepultamento será hoje, às 16h. Comunicamos o falecimento de Uecrid Olebar”.

Esta nota de falecimento acima ainda é fictícia, até quando Deus desejar, mas, para quem nunca a ouviu, é um exemplo dos anúncios fúnebres daqui de Dom Joaquim. A locutora é a Florizalda, esposa do Tomazinho e funcionária da Paróquia de São Domingos. Esse tipo de anúncio é um serviço de utilidade pública, gratuito e que ajuda nas horas mais difíceis, tanto às famílias mais abastadas, como também às mais necessitadas. É, portanto, um serviço de grande significado para a comunidade. Nos últimos dias esses comunicados têm-nos trazido grandes tristezas, pelas mortes de pessoas de nossa família, muitíssimo queridas.

Mas mesmo diante da morte existe certa comicidade. Se não existe, alguém cria. Esses comunicados são feitos sempre que morre alguém, claro, e vêm sempre acompanhados da música “Rumanian Waltz” (Valsa Romena) que tem como compositor o próprio solista, Gheorghe Zamfir, que caiu em desgraça e se tornou a “boca de coã” para muitos. Pelo menos é isso que ouço, quando a “musiquinha” começa a tocar através dos alto-falantes da Igreja Católica e algum gaiato comenta:

– Lá vem notícia ruim!

Claro, que a morte (desencarnação), assim como o nascimento (encarnação) são naturais no ser humano; se nasceu, um dia haverá de morrer. Eu não tenho lá muito medo da morte, pois como espírita, sei que ela só marca o fim de um ciclo e como creio na reencarnação, voltarei a viver nova vida em um novo corpo e daí não dar tanta importância à dita cuja. Por falar nisso, li no Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, que “Existem menos descrentes (ateus) do que se acredita; muitos se fazem espíritos fortes durante a vida por orgulho, mas no momento da morte não são tão fanfarrões”. Conclusão: a maioria quase que absoluta crê em Deus e todos têm medo da morte; alguns um pouco mais, outros, com menor sentimento de culpa, um pouco menos.

Mas, a tal música virou sinônimo de coisa agourenta, presságio de “trem” ruim. Ela dá nos nervos. De vez em quando ela some. Alguém comenta:

Ué! O povo parou de morrer?

Depois ela volta e parece que o pessoal aproveita o embalo e morre gente até dizer chega. E tome a tal musiquinha no alto-falante da igreja. É a acauã musicada… Parece que ela fica impregnada na cabeça da gente. Sai pra lá coisa ruim!

Na minha rua tem uma certa pessoa que diz pra todo mundo ouvir que quando ouve a “tal música dos defuntos”, até “arripeia” o corpo de tanto medo.

Eu cá, já estou decidido; quando eu bater as botas, vou dispensar a tal música e pedir outra, para tocar pra mim: – “Ave Verum Corpus” de Wolfgang Amadeus Mozart. É até mais triste, mas, não tão “na cara” dessa que diz: – “já vem defunto novo aí”. Vamos mudar um pouco, pôxa!

Até que para os amigos, ela vai dar mais IBOPE por sua grandiosidade, por causa do coro de cem vozes e tal, mas para os inimigos…

E eu não posso negar que o “long play” do Zamfir foi doado por mim à igreja, logo que cheguei a Dom Joaquim. Está lá, meu nome na capa do discão. Perdão galera!   

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Responses

  1. e como deve ter tocado mesmo!!!
    bendita hora que vc deu este disco para a paroquia!!!
    temos que atualizar isto!!!!
    se no dia da minha passagem fizerem coisas como esta, juro que nao vou dar sossego la do outro plano….. tudo bem que quero algo bem moderno, nao precisa ser uma Ill survive, mas algo bem animado, se acontecer em bh, por exemplo, pode fazer o cortejo em um trio eletrico, dar uma voltinha pela praca sete com alguma das musicas de Chaplin com um ritmo animadinho que cai bem!!!!!!!
    mas e isto a vida!!!!
    tudo tem um fim…..no caso da vida, vai de quem acredita……e da forma que acredita….mas para mim tambem e somente uma passagem para um outro plano…..
    e por falar nisto ja assistiu ao novo filme ?????

  2. Olá Angelo! Mas você viu menino? Quando eu dei o disco (êpa) para a paróquia, eu nunca pensei que ele fosse usado para anunciar defuntos. Mas, isso acontece nas melhores famílias, não é? Fazer o que? Até que se eu pudesse e se me minha família aceitasse numa boa, eu queria uma festa no meu velório, ao invés de tristeza, chororô, etc.
    Mas, o pessoal gosta mesmo é de drama. Pra quê, não é? Nós, daqui a pouco vamos voltar mesmo pra cá…

  3. Olá Angelo! Mas você viu menino? Quando eu dei o disco (êpa) para a paróquia, eu nunca pensei que ele fosse usado para anunciar defuntos. Mas, isso acontece nas melhores famílias, não é? Fazer o que? Até que se eu pudesse e se me minha família aceitasse numa boa, eu queria uma festa no meu velório, ao invés de tristeza, chororô, etc.
    Mas, o pessoal gosta mesmo é de drama. Pra quê, não é? Nós, daqui a pouco vamos voltar mesmo pra cá… Ainda não assisti o filme, vou assisti-lo logo que for a BH.

  4. Ei Dirceu,essa música no primeiro toque o coração esfria e a gente já começa a chorar sem saber quem é o defunto. Quando eu for já deixei a minha escolhida. Nenzinho Mourão sabe qual é. Parabéns mais uma vez .

  5. Essa música é o pavor de qualquer um. Como eu disse na crônica, coitado do Gheorghe Zamfir que deve ter “queimada a pestana” para compô-la, para depois ter que ver a sua obra prima servindo de fundo músical para anúncio fúnebre.


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