Publicado por: Dirceu Rabelo | 21/10/2010

Aviação: minha grande frustração!

Aviação: minha grande frustração!

Dirceu Rabelo

Dia 20 de outubro, às 13h, a TV Senado estava mostrando um plenário cheio. Parei naquele canal, admirado com a lotação da “casa”, mas logo a minha alegria estancou; os assentos estavam ocupados por militares da Força Aérea Brasileira. Naquela data o Senado estava prestando uma homenagem à classe, pelo dia do aviador e pelo dia da própria Força Aérea Nacional. Somente um senador de plantão para homenagear os aviadores e depois dar no pé, porque ninguém é de ferro.

Bem, não adianta ficar dando murro em ponta de faca aqui neste blog, pois se eu não consegui mudar a Câmara de Vereadores de Dom Joaquim quando fui seu presidente, não será este escriba que vá mudar “a casa dos lordes” brasileiros.

Este blá-blá-blá todo aí em cima, foi para contar para vocês que quando pequeno, eu tinha pavor do ronco do motor de avião. Quando passava um mais baixo então, eu faltava me borrar todo de tanto medo. Não sei o porquê desse meu trauma na infância; até parecia coisa de vidas passadas.

Até que um dia, isso em 1960, por aí, estávamos jogando bola no campo de futebol do outro lado do Rio Folheta, pasto de Dona Blandina, onde hoje é a casa do Zé Augusto; já era mais ou menos quatro horas da tarde, céu de brigadeiro ( limpo), quando apareceu um aviãozinho teco-teco voando baixo, vindo detrás do Alto da Capela Velha. A princípio eu tive medo, mas como todo mundo ficou numa boa, eu fiquei mais seguro. O piloto, desesperado, se cansou de dar rasantes sobre nós para sairmos da reta e deixa-lo pousar no campo, mas nós fazíamos algazarra; e quanto mais ele voava baixo e esbravejava, mais nós achávamos graça e deitávamos no gramado,  jogando bosta de boi para cima, tentando acertar o avião. Ele desistiu daqueles capetas, com suas catapultas de excrementos bovinos, e foi-se embora para o lado norte da cidade. E nós ficamos comentando: deve ser alguém de Serro que conhece Dom Joaquim e que quis brincar um pouco com a gente.

Que nada! Antes de o dia escurecer de todo, estávamos na porta do Grupo Escolar “Cristiano Machado”, onde funcionava o Ginásio São Domingos, quando chegou a notícia de que o piloto tinha feito um pouso de emergência na Bonosa, numa roça de milho de Joaquim Glória, ali perto da fazenda do Marçal Papula. Todo mundo matou aula naquele dia para ver o avião. Foi uma romaria até o “aeroporto do Joaquim Glória”. Em lá chegando, já tinha até gente vendendo pão molhado, Q-suco, beijo-quente, pirulito de mel e outros trens da época. E lá estava o “bichão”, pousado, com dois seguranças de “peso” vigiando a máquina a mando do piloto: Linguiça e Marciano Bocais; este último, bicudo que nem gambá. Mas chegou gente que até Deus duvidaria. Não se sabe de onde saíram Nerim e Neroso que há tempos estavam sumidos de Dom Joaquim. Os dois, como sempre, numa inhaca e num bafo de fazer dó. E o Nerim indagando: “da donde que este baita veio, carandu?”

Pra encurtar a história, teve gente que passou a noite ali “esquentando fogo” e conversando fiado. No outro dia chegou um piloto novo de Belo horizonte, trazendo combustível; os dois conversaram com Joaquim Glória que cobrou lá uma boa quantia pelo milho quebrado, e outra boa soma para fazer uma pista com enxada, para o aviãozinho decolar dali.

Centenas de pessoas para ver o grande acontecimento. A cidade parou. Aliás, ela já era parada; aí que parou de vez! Pista feita, muito curta por sinal, o novo piloto tomou todo o seu espaço possível na pista, de tal forma, que para pegar embalo, o piloto que tinha feito o pouso se dependurou numa das asas, para que as rodas permanecessem no chão. O piloto colocou toda a força no motor e deslizou pela pista irregular de terra, pipocando, e nós na torcida e quando a pista terminou, ele deu uma leve caída e levantou voo para o céu quase tocando a montanha logo à frente. Tião Rita tocava sua sanfona de oito baixos freneticamente, debaixo de um bambuzal e a pinga rolava solta, com tira-gosto de um tatu que apareceu na hora errada e no lugar errado. Demorou uns cinco minutos, até que o aviãozinho voltasse de bico em direção ao povo que estava debaixo da moita de bambu, e quando chegou perto, ele subiu para o infinito e seguiu não sei para onde, deixando-nos boquiabertos e descabelados com tanta destreza e intrepidez do fedazunha do piloto. Teve gente que jurou que ele tirou até folhas nos ramos de bambu com a hélice do avião. De concreto mesmo, o que aconteceu foi que a sanfona de Tião Rita, na bagunça do corre-corre amassou o fole e ficou rouca; mas no calor da farra ela tocou até escurecer.

Mas daquele dia para cá, tudo que eu queria na minha vida era ser piloto da aeronáutica. Mas não deu! Até hoje me sinto frustrado por não ter entrado para a aeronáutica. Deixa pra próxima… reencarnação!

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Responses

  1. deixa de ser bobo!!!
    aprende dirigi viao!!!
    ainda ta di bom tempo!!!!!

  2. Que nada!
    Eu tou “uma véia cansada”
    Se eu fô dirigi vião,
    Eu vou direto de bico no chão!
    Sei lá Angelo, se eu fosse rico, talvez até eu comprasse um ultraleve pra mim. Mas como tô numa pinimba de fazer dó, ando de busú, é melhor. Abração!


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