Publicado por: Dirceu Rabelo | 11/01/2011

Rio Folheta (in memoriam) – Poema

Rio Folheta (in memoriam)

 

Dirceu Rabelo

.

Não rio de ti Folheta

Pelo contrário

Choro

Tenho-te dó,

Morro de paixão.

 .

A começar pela vida curta que tens

Nasces não sei onde, em Conceição;

Deságuas no fim de Dom Joaquim.

Mesmo assim, crueldade!

Roubaram-te o oxigênio.

Sim, eles mesmos,

A quem tu deste

Banhos

Pescarias

Tardes de lazer

Até tua pura água para beber.

 .

Furtaram-te as margens

Antes livres

Abertas às afinadas lavadeiras

E aos mentirosos pescadores

 .

Onde se podia fisgar

Timburés e acarás

Hoje acharás traíras

Sim, traidores! Por que não?

Porque curaste ressacas e mágoas

Em teu outrora caudaloso leito

.

No entanto, hoje,

Mal te doam degradado calhandro

Que te servirá de estreito ataúde

Para nele cambaleares esgrimido

Entre quintais e latifúndios

Até morrer de vez

Fétido, moribundo,

Na barra do Rio do Peixe.

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Responses

  1. Busquei uma expressão para comentar o seu texto, caro Dirceu, mas só encontrei uma palavra: PERFEITO.
    Um abraço.

  2. Amarildo, caro primo. Você é um Teixeira também e nós temos veia poética; daí que eu aceito seu comentário com o maior orgulho, pois vem de uma pessoa que entende do assunto. Ontem à noite este pequeno poema saiu de uma lapada na cozinha de casa. É sempre assim, quando vem a inspiração, corra e esvreva e foi o que fiz. Abração e obrigadão!


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