Publicado por: Dirceu Rabelo | 26/01/2011

Sous le ciel de Paris* Uma reencarnação desastrosa!

 

Sous le ciel de Paris*

Uma reencarnação desastrosa!

 Dirceu Rabelo

Foi só mais uma reencarnação, mas como me deixou marcas profundas, espirituais e morais! Vivia numa mansão perto do Palácio de Versailles na capital francesa, mas quase não parava em casa. Meus pais e irmãos já não sabiam mais o que fazer, para me tirar da vida boêmia que eu levava. Eles chegaram ao ponto de me arrumar uma noiva, moça bonita, rica e educada que por algum tempo frequentou nossa casa, mas eu releguei tudo pela libertinagem.

Eu vivia nos cabarés, rodeado de pintores, atores, artistas diversos e prostitutas e como tinha muito dinheiro, procurava aqueles jovens pintores mais talentosos para alçar-lhes as carreiras artísticas como seu mecenas e usufruía das beldades que os cercavam. Fazia juras de amor de mentira; fazia-me de apaixonado e depois terminava com as pobres moças para ver no que poderia dar. Era um completo irresponsável no amor. Começava aí, meu futuro martírio.

Como não poderia deixar de ser vivia também cheio de doenças venéreas, drogas, bebidas, noitadas intermináveis e a certeza de que estava fazendo tudo errado. Não era nada daquilo que eu havia prometido no Plano Espiritual, quando estava me preparando para aquela reencarnação.

Paguei e continuo pagando ceitil por ceitil, em duas encarnações quase que seguidas. Uma delas passou depressa, pois desencarnei ainda jovem, em Portugal, por ter sido considerado suicida. Vivi por 13 anos quase que de cama, doente, e morri tuberculoso.

No início desta, já aqui no Brasil, a música “Sous le ciel de Paris”, de Ives Montand, que eu ouvia num disco de 78 rotações numa velha vitrola de dar corda, me lembrava ainda criancinha, da saudosa “cidade luz”.  A fazenda dos meus tios, em nada lembrava o casario da velha Paris de minha vida passada, da Catedral de Notre Dame, da Ponte de Bercy, de Montparnasse…  mas, a lembrança continuava viva dentro de mim.

Brincava o dia inteiro entre bezerros, cabritos e os cães da fazenda. À tarde a pescaria era certa no córrego que passava nos fundos da casa grande, seguida de banhos refrescantes nos diversos poços de água límpida, fria e corrente. Minha tia fazia de tudo para nos agradar; a mim, ao meu irmão, ao meu primo e ao filho dela que desencarnou muito jovem, trazendo-lhe grande sofrimento.

Mas, chegava o crepúsculo, e na vitrola, as primas colocavam a tocar o mesmo disco, “Sous le ciel de Paris”, na voz melodiosa de Edith Piaf. E aquela música, com um majestoso acompanhamento de acordeom com o contrabaixo ao fundo, lambia todas as dependências do velho casarão, da varanda à cozinha, onde os mais velhos conversavam ao pé do fogão a lenha. Aí, a lembrança das noites parisienses voltava à minha jovem mente e meu espírito ficava intranquilo, ausente, nostálgico.

Na minha reencarnação na França e naquela hora, em Paris, eu, sob os olhares condoídos de meus pais, me preparava para mais uma infeliz noitada que só terminava no dia seguinte, com o sol a pino. Eu já estava muito doente e preparava para mim mesmo, um verdadeiro inferno que viria pela frente. A morte veio rápida e dolorosa para toda minha família.      

 *Sob o céu de Paris

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