Publicado por: Dirceu Rabelo | 18/04/2011

BICHO DOCE: TRADIÇÃO PASCAL DE DOM JOAQUIM

BICHO DOCE: Tradição Pascal de Dom Joaquim

Dirceu Rabelo

Neste fim de semana que passou fui a Gororós, o único distrito de nosso município, com o objetivo único de fazer uma visita à minha querida tia Assunção, já idosa, mas lúcida e alegre. Como sempre fui extremamente bem recebido pelas primas Eliana e Rosângela, filhas dedicadas e que lhe dão o devido suporte, necessários na sua idade.

Foram horas de extremo prazer para mim, passados ao lado daquela tia que na nossa infância fez tudo o que podia e às vezes até o que não podia, a fim de nos agradar. Todas as nossas férias escolares passávamos na sua saudosa Fazenda do Candonga, próxima de Gororós. E lá íamos Itamar, seu filho mais velho, já desencarnado; Luiz Mário, outro primo; meu irmão Antônio Paulo e eu, para aquele paraíso, onde um anjo nos aguardava. E esse anjo tinha nome: Tia Assunção. Seu marido, nosso tio Antônio, embora muito bom, era um pouco severo e se não fosse, nós jogávamos a fazenda no chão. Ele era a nossa rédea; Tia Assunção o acelerador.

Sempre que chegávamos à fazenda nas férias, encontrávamos uma surpresa como, por exemplo, uma réplica com todos os detalhes, de um carro de bois, confeccionado artesanalmente pelo melhor carpinteiro da região e adaptado para cabritos já treinados, para que a gente pudesse brincar de carregar lenha, esterco, etc. Era uma maneira de termos o que fazer, sem estar fazendo “artes” e ao mesmo tempo ajudando a “casa grande” com nossas brincadeiras. Tia Assunção bolava tudo isso para nos agradar.

De outra feita, a boa tia mandava capinar e varrer vasto pomar para que ali pudéssemos brincar de carrinhos de cacos de cuia com nossas belas “juntas” de bois de sabugo (Aqui em Donjoka se pronuncia sabuco) de milho de cores variadas, sem perigo de sermos picados por cobras ou escorpiões. Enquanto brincávamos, também podíamos comer frutas diversas, como araçá, pitanga, jambo branco e muitas outras.

Bom, pra encerrar a apresentação dessa maravilhosa mulher, eu só posso dizer: Dona Assunção! A senhora é a cara e merece todo o nosso carinho e muito mais!

Mas, terminada a visita e já me despedindo para retornar a Dom Joaquim recebi um presente que a tia e as primas haviam reservado para mim e que há muito não via, por culpa do consumismo e da Nestlé, Garoto, Lacta, Arcor, Copenhagen, etc., com seus indefectíveis e caríssimos ovos de Páscoa. Elas me deram de presente um “porquinho” de doce de leite puro, de mais ou menos dois quilos.

Só aí me lembrei da tradição do passado, de minha infância, quando se fazia galinhas, porquinhos, coelhos e outros bichinhos de doce de leite, roscas em formato de animais, para presentear os amigos e parentes na páscoa. Isso é coisa que herdamos dos portugueses, com certeza.

Até na Liturgia ou ritual do Lava-Pés da Semana Santa, que era realizado com meninos vestidos de Apóstolos, esses recebiam os famosos canudos com amendoins confeitados e doces, especiarias que levavam a assinatura de dona Amélia de Olivier Braga, uma artista eclética que já está no Plano Espiritual.

Quanto ao “porquinho” de doce de leite que ganhei, nem venham, porque comecei a comê-lo pela cabeça e já estou próximo do rabinho do gorducho. Portanto, a guloseima já está acabando, bando de  olhos grandes!

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Responses

  1. Como ser alguma coisa nessa vida sem honrar os antepassados?
    Como ser feliz se não houver o que lembrar, parentes amados, costumes inesquecíveis?
    Mas, exibir o porquinho e tripudiar com os leitores, ah, isso não, vamos duelar, escolha os padrinhos!

  2. É isso mesmo, querida Marilia. Nossa cultura não pode ser esquecida e cabe a cada um de nós buscá-la onde quer que ela esteja.
    Quanto ao porquinho… Já está na minha barriguinha.
    Quanto ao duelo… Escolha os porquinhos! Quando você aparecer aqui na terra, mando fazer um para você, mas só na Páscoa!
    Beijaço!

  3. entalado!
    sem fala!
    sem palavras!
    mas eu ja comi porquinho de doce de leite aqui nos EUA!
    feito pelas mesmas!!!
    kakakakakaka

  4. Não ria seu sacana! Você disse “eu já comi” e eu digo, “ainda estou comendo” o porquinho de doce de leite. Só que a galera não pode ficar sabendo. Não dou nem uma lasquinha pra ninguém!!! E não venham rogar praga para TAL MANJAR DOS DEUSES me dar dor de barriga porque PRAGA DE URUBU MAGRO NÃO PEGA EM CAVALO GORDO. kakakakakakakakakakakakakakakakakakakakakakakakakakakakakakakaka


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