Publicado por: Dirceu Rabelo | 16/05/2011

TUNICO TABOCA: O REI DO “EMBROMATION”

TUNICO TABOCA – O REI DO “EMBROMATION”

Dirceu Rabelo

 

Dia desses, eu estava vendo o programa do Ratinho e este apresentou ali no auditório, um carioca chamado Geraldo “Cangalha” que se dizia ser o rei do “embromation” (lê-se embromeichom). A palavra não existe no inglês e define bem aquele que canta músicas naquela língua, sem noção do que está cantando.  

O Geraldo Cangalha, acompanhado de um violonista, também carioca, e por isso mesmo, também cara de pau, cantou várias músicas em inglês que fizeram o auditório vir abaixo de tanto rir. Segundo o Ratinho, que também não parava de rir, naquele momento, o IBOPE estava altíssimo, tamanho o sucesso do Cangalha.

Lembrei-me da figura do Tunico Taboca ou Tunico Rock, que até há pouco tempo ainda bebia uns tragos e dava seus shows de “embromation”, para nosso deleite aqui em Dom Joaquim. Não tinha uma festa em que o Tunico não aparecia. Em um primeiro momento ele ainda permanecia mais sério, mas depois de duas timbucas, já vinha o seu “hit”, a famosa música de Creedence Clearwater Revival: Have You Ever Seen the Rain.

Tunico, que nasceu Antônio Coelho Alexandre, do clã dos Alexandres da “Lapinha”, cantava cada sílaba do grande sucesso no seu “embromation”: re – vu – Eva – sim – dei – renha… E sorria um sorriso que ia de costeleta a costeleta.

Tunico, como o “Rei do Embromation de Dom Joaquim”, também nunca soube uma letra sequer do idioma pátrio da Rainha Elizabeth, mas depois de duas ou três pingas, imaginava falar inglês melhor do que Willian Shakespeare e cantava a plenos pulmões.

Tunico nunca teve um repertório vasto, mas nós nos contentávamos com a tal música do Creedence, umas duas do Paulo Sérgio e outras duas dos Beatles. Nas dos rapazes de Liverpool ele matava a pau no “embromation”; chegava a nos emocionar de tanta cara de pau.

Quando alguém pedia ao DJ da festa que estava acontecendo, que colocasse a música do Creedence para ele dublar, acontecia uma transfiguração em Tunico. Ele segurava um fictício microfone que só ele via e sentia, e vibrava todos os músculos de seu corpo já maculado pela bebida alcoólica. E ele se contorcia, e sorria, e vibrava junto com o público que o aplaudia, feliz por sua alegria e descontração, mesmo que alcoólica. De alguma maneira o álcool levava felicidade ao solitário coração de Tunico Taboca.

Dizem que agora, para ele, o álcool é passado, é vergonha. Agora ele é evangélico e só pensa em trabalho e Jesus. Que bom que ele tenha encontrado Jesus. Mas pena que ele tenha perdido o dom do “embromation”, nobre arte na embromação.  

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Responses

  1. Grande amigo, como sempre um ótimo texto para nosso deleite. Mas…. o foco da prosa hoje era pra ser outro. Ou não teve uma final rural ontem rsrsr. Final que alias eu sofri junto com Caco e Zé Maria. Oh dificurdade sô! Grande abraço.

  2. Joãozinho, você sempre pegando no meu pé, não é? Parece urubu na carniça!!! Já não basta perder para o GRANDE VEXAMEIRO DOS MINEIROS DE LAS AMÉRICAS… Por que é que vocês não param de disputar esses campeonatos mais complicados e façam que nem nós do GALO DOIDO, e só ficam por aqui mesmo? Pra dar vexame, dêem aqui dentro mesmo. Vocês gostam de dar vexame de relevância internacional. Já tenho matéria pronta sacaneando vocês. Amanhã eu mando no ar.
    Gostou do Tunico Rock? Brigadim amigo. Saudações ATLETICANAS com derrota e tudo…

  3. Poxa muito legal comentar sobre o Tonico Taboca, vale complementar no texto que ele gostava de cantar Roberto Carlos também… No Cruzeiro da pracinha da igreja adorávamos acompanhá-lo no Ra me tchau, me tchau me thou, ry now, ra me tchau, que nem lembro mais o que isso. Um dia cantamos tanto com ele, que nunca esqueço, a Vó Zil teve que sair da sua casa para buscar um de seus netos que nunca mais chegava em casa e já era tarde da noite, foi bronca para o mês todo… Grande Tonico que era afilhado do Vo Lili e da vó Maria, e que o vovô morria de raiva porque só ia visitar ele quando estava pra lá de bagdar… Parabéns Dirceu por lembrar de figuras tão importantes.

  4. Caro primo Junior,
    Essa música do Tunico Taboca: “Rame tchau, me tchau me thou, ry now”, era exatamente aquela famosa do grupo “Creedence Clearwater”: “Have you ever seen the rain” e que para nós fez mais sucesso com o Tunico do que com o grupo americano.
    Ando buscando essas a história destas pessoas que estão marcando nosso passado e que poderão ser esquecidas se não ficarem perpetuadas em crônicas ou em fotos, matérias jornalísticas, etc. Devo lançar agora na Festa de São Domingos o meu primeiro livro de poesias e crônicas dom-joaquinenses e já estou preparando o próximo livro.
    Grande abraço e até a festa do nosso padroeiro.


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