Publicado por: Dirceu Rabelo | 11/07/2011

SÁ NATI: A PEQUENA GIGANTE MATRIARCA DOS MADUREIRA SIMÕES

SÁ NATI: A PEQUENA GIGANTE MATRIARCA DOS MADUREIRA SIMÕES

Dirceu Rabelo

A figura da Sá Nati que eu conheci ainda muito pequeno, no princípio da década de 1950 era a de uma mulher pequena, frágil, com uma deficiência em uma das pernas e por isso andava sempre mancando e usando uma bengala com cabo de prata, linda. Era muito vaidosa, e isso foi comprovado por muitos que a conheceram mais do que eu e mesmo dentro de casa, era comum vê-la usando vestidos de crepe de seda, anéis de ouro e pedras preciosas pelos dedos, chegando a colocá-los no indicador e até no polegar.

Vivia cercada das netas que moravam com ela, sempre bonitas e bem vestidas e ela adorava vê-las se arrumando no espelho, se enfeitando e com os vestidos mais bonitos da cidade. Gostava também da casa cheia de visitas e as panelas fumegantes no fogão de lenha. Eu, menino, era o maior fila-bóia da querida tia que gostava de agradar às crianças com guloseimas.

Ela nasceu no município do Serro Frio e ganhou o nome de Natividade Rodrigues Madureira, prima em primeiro grau de meu avô paterno, Francisco Rodrigues Madureira. Casou-se bem nova com o abastado coronel Hermógenes Simões de Aguiar, o “Hermógenes do Tapa” e ainda nova ficou viúva com seus 9 filhos, sendo seis mulheres e três homens: Chiquinha de Tibúrcio, Inês de Joaquim Barriado, Maria de Seu Bento Simões,  Diná de Ranolfo, Amélia de Cícero, Cica de Sinval, Tuque, Tatão e João do Tapa.  

Seu “reino” ou feudo começava em sua casa aqui em Dom Joaquim, numa casa que existia onde hoje é a Telemar (Oi) perto do beco, bem na divisa das Praças Waldemar Teixeira e Cônego Firmiano e se estendia pelo Rio do Peixe acima, passando por São José do Jacém, Alvorada de Minas e atingia o Rio das Pedras, beirando o Serro. Nesse grande trajeto era onde ficavam as terras das fazendas que seus filhos herdaram do pai, fazendeiro riquíssimo.

Ele era tão rico que o também coronel Quincas Pedro, que também tive a honra de conhecer, dizia para todo mundo, numa forma de gratidão, que a sua fazenda do Areião tinha sido comprada com dinheiro emprestado pelo compadre, coronel Hermógenes do Tapa.

Seus filhos, todos eles, já de idade, não faziam negócio algum sem tomar opinião com ela. Todas as decisões de seus filhos e filhas passavam pelo crivo da pequena, mas decidida mãe.

A família Madureira Simões até hoje é muito festeira e farrista e já naquela época, Sá Nati gostava de ver suas filhas dançando e cantando.  Na fazenda do Tapa, onde ela morava era só uma festa só.

Numa dessas festas, a fazenda lotada, muita dança, muita comida gostosa, licores e cachaça produzidos na propriedade, a varanda cheia de visitas e ela sentada num dos grandes bancos da varanda, quando este se virou e caiu sobre sua frágil perna que se partiu. Como Dom Joaquim naquela época não tinha médico e era o lugar mais próximo para atendimento, resolveram apelar para Olímpio Sanches, meio farmacêutico, meio manipulador daquela época que “encanou” sua perna, mas a deixou mais curta do que a outra. Esta perna doeu a vida inteira, até sua morte.

Era de uma liderança admirável e os políticos de Dom Joaquim disputavam o seu apoio. Em suas mãos estavam centenas de votos que ela decidia para onde ou para qual candidato seriam destinados.

Dr. Jorge Saffe quando morou aqui, não dispensava o seu café quentinho pela manhã e a chamava de “mãezinha”. Só a presença do bondoso e competente médico em sua residência curava as dores terríveis que ela sentia na perna doente.

Em certa época ela apoiou a UDN, seguindo Dr. Jorge, embora fosse muito amiga e vizinha de João Paulo, meu pai, e adorasse Dr. Ary. Nesta “política” os candidatos que ela apoiava pela UDN eram Quincas Pires, de Senhora do Porto, que naquela época pertencia a Dom Joaquim e Sr. Joãozinho Simões. Noutra ocasião, depois que Dr. Jorge se mudou para Conceição do Mato Dentro, ela passou a apoiar o PSD de papai e Dr. Ary e assim foi até o seu falecimento, já bem velhinha no Retiro do Jacu, de seu filho Tatão.

Mesmo no leito de morte, com o mal de Alzheimer, seus filhos e netos ouviam suas palavras já desconexas, com o mesmo respeito e admiração de antes.

Já hoje, pessoa mais idosa “só serve para dar trabalho e caducar no ouvido da gente…” é o que mais se ouve. É uma pena!

NR) Esta crônica não seria tão completa, se não tivéssemos os dados fornecidos pela neta de nossa matriarca enfocada, Maria Madureira Simões (Maria de Aziz), que conviveu com ela e a quem muito agradecemos.

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