Publicado por: Dirceu Rabelo | 10/10/2011

ASSOMBRAÇÕES DE DOM JOAQUIM

ASSOMBRAÇÕES DE DOM JOAQUIM

Dirceu Rabelo

Passei toda a minha infância e juventude ouvindo casos e mais casos de aparições de “almas do outro mundo” e comunicações de espíritos, aqui em Dom Joaquim. São tantos e os mais variados que resolvi contar um acontecido comigo mesmo.

Sempre ouvi, desde pequeno e continuo ouvindo até hoje durante a noite, pancadas e barulhos que com certeza são causados por espíritos que por alguma razão querem se mostrar presentes para mim. Já os temi; hoje, não tenho mais medo deles, pelo contrário, quero que eles venham e digam a que vieram.

Quando meu pai estava construindo nossa casa que hoje pertence ao Bráulio de Lili, na esquina do Beco de Sá Nati saímos da casa de nossos avós maternos, da Praça da Matriz que seria demolida, para a construção de uma nova casa para eles também, e fomos morar no casarão de Inhá Rosa que hoje não existe mais. Eram suas vizinhas, minha avó paterna Violeta Rabelo, Marieta de João Cordeiro e Sá Mocinha. Essa casa ficava na Rua Marques do Herval, bem próximo da casa paroquial.

A vizinhança era excelente, mas não gostei do casarão logo de cara. Pedia sempre à mamãe para dormir com ela e papai, na cama de casal ou numa cama no chão, mas no quarto deles. Às vezes ela deixava; noutras, não!

Eu acordava sempre próximo da meia noite, e sabia disso pelo martelar do velho relógio da igreja na praça, e começava ali um suplício para mim, com portas rangendo, outras batendo sem estar ventando, passos pela casa, pancadas dentro do quarto. Eu chamava mamãe que me acudia, mas ela dizia que “estava acordada e não tinha ouvido nada”.

Mas eu também estava acordado e tinha ouvido tudo. Como é que pode isso? Os “efeitos especiais” eram somente para mim?  Eu pensava.

No outro dia eu perguntava para meus irmãos e ninguém ouviu nada; só eu. Com isso tudo acontecendo, mamãe me mandava para a igreja Católica e começavam aí confissões, comunhões, missas, terços, água benta e outras formas de espantar o “demo”.

Naquela época, uma imagem de Nossa Senhora de Fátima visitava todas as casas da cidade e enfim, ela chegou à nossa casa necessitada de socorro. Pelo menos para mim.

No primeiro dia da novena pedi em oração, ali bem no fundo do meu coração infantil, que Nossa Senhora afastasse aquela assombração que estava perturbando meu sono. Enquanto a imagem permaneceu na velha casa o espírito foi impedido ou não teve coragem de “encarar” a força espiritual da Mãe de Jesus contida naquela santa de gesso.

No nono dia da novena, a santa foi em peregrinação para outro lar dom-joaquinense e me deixou órfão, à mercê do espírito que voltou com a corda toda e desta feita arrastando algo como um saco, com alguma coisa dentro. Assombração insistente! Pensava.

Aquilo me apavorava de tal forma que comecei a ter medo do anoitecer, da própria casa, mesmo durante o dia, e como ninguém acreditava em mim, desisti de contar a minha desdita a quem quer que fosse. Deveriam achar que eu estava sonhando ou ficando louco. Nem uma coisa, nem outra.

Mas não se passaram nem dois meses, desde a visita milagrosa de Nossa Senhora àquele casarão, quando a nossa casa nova ficou pronta e nos mudamos para ela. 

Fim de meu tormento! O espírito ficou por lá e me deixou em paz na casa nova.

Pouco tempo depois o velho casarão foi demolido e o espírito se foi com a materialidade da casa.

Só agora, várias pessoas me contam que aquela casa era mesmo mal assombrada e que meninos que estiveram ali roubando as deliciosas mangas coquinhas de Inhá Rosa à noite, se deparavam com um homem de preto, ao pé da escada, na parte de baixo da casa. Outros que chegaram a residir ali dizem que os barulhos eram mesmo reais, principalmente depois da morte do marido de Inhá Rosa, Inhô João do Ipé.

Diante da descrença de muitos, lembro-me da famosa frase de Sancho Pança “-Non creo em brujerias, pero que las hay, las hay…” 

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Responses

  1. eu acredito sim porque algumas coisas ja aconteceram comigo e eu não tenho como duvidar.

    • É isso aí caro Marcus. Sou espírita e desde pequeno tenho alguma mediunidade, mas vindo de uma família extremamente católica, ninguém acreditava em mim. Grande abraço e que 2012 seja para todos nós repleto de saúde, paz, harmonia, amor e prosperidade.

  2. eu gosto de brincar mas eu ficor vemdo coisas cirano pelo becis e isso mida
    medo de veses quendo eu de noiti nao comsigo dormi direito por que eu fico
    com medo eu dento de casa pegavo e mecobria de pe ate a cabeca e fica
    vo la orando cheio de medo olha-vo para janela ai que medava mais medo
    e passavo a noite apernoitadoe com sono medo muito medo e isso agora eu nao tenho mais medo muito so um pouco que eu tenho fim e meu nome e
    samuel fim

  3. Samuel,
    Não sei qual a sua idade, mas percebi que se trata de uma criança ou pré adolescente. Eu sou um cronista e todo cronista aumenta muito as coisas e às vezes até mente para que a história fique boa mesmo.
    No seu caso, eu acho que a melhor fórmula é orar antes de dormir e rogar a Deus, a proteção de seu Anjo de Guarda que está sempre do seu lado. Assim, nada de mau vai lhe acontecer.
    Confie em Deus! Confie em seu filho Jesus!
    Um abraço!


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