Publicado por: Dirceu Rabelo | 18/10/2011

MEUS AMORES ANIMAIS

MEUS AMORES ANIMAIS

Dirceu Rabelo

Pandora ou Ximbica: esta gata morreu debaixo das rodas do meu carro por amor; queria ser a primeira a estar comigo, na minha chegada em casa.

Quanto mais convivo com os irmãos animais, mais eu os amo, mais aprendo com eles, mais me sinto próximo de Deus.

Tolos, aqueles que dão de ombro quando falamos de nossos amores pelos animais e sua reciprocidade. Pobres daqueles que ainda não descobriram que os animais têm espírito, mesmo que em estágio ainda embrionário da evolução. Tenho mesmo muita pena daqueles que não compartilham este amor com nossos amiguinhos, por perderem preciosos momentos de alegria e prazer com eles, por pura ignorância ou preconceito.

Pior ainda, para aqueles que nos ridicularizam por nos apegarmos em demasia, segundo eles, aos animais. Eles se esquecem de que guardamos muito amor conosco, ou não têm a capacidade que temos de distribuir nosso amor aos nossos entes queridos e nossos animais. Somos pais, avós, filhos, irmãos, maridos, esposas e amamos (como eles) nossos familiares e temos amor de sobra para repartir com todos, assim como nos ensinou o Mestre Jesus.  

Perguntem àqueles que têm animais – e por isso mesmo os adora – se não é maravilhosa essa relação, e se não começariam tudo de novo com seus amiguinhos. 

O amor que eles têm por nós, é coisa fantástica que já foi cantada e decantada em crônicas e versos, em matérias de jornais e televisão e em livros inteiros. É só acompanharmos pela mídia diariamente, que lá estão os fatos já corriqueiros desses nossos amiguinhos, cada vez mais humanizados e próximos de seus donos. Somos deuses para eles!

Como eles nos amam verdadeiramente, têm grande devoção e idolatria por nós, seus míseros “donos”, sejamos ricos, donos de palacetes ou mendigos, com moradia debaixo de um viaduto. Seu puro amor, sem cobranças, ensina-nos que para eles, o verbo amar se conjuga somente na primeira pessoa do singular do presente do indicativo: EU AMO!

Já nós, vamos passando do carinho superficial dedicado a eles, ao amor mais profundo e bonito, sincero, quase igual – se não for igual – ao que temos pelos humanos que tanto amamos. Pode chocar a alguns, esta nossa afirmação, mas não chocará àqueles que amam seus animais.

Já tive vários cães e gatos em minha vida. Cibele era a cadela vira-latas mais humana e maternal que já vi e não era minha; ela pertencia a todas as crianças que passavam as férias na Fazenda do Candonga, dos tios Antônio e Assunção. Parece que ela fazia questão de parir em dezembro, época das nossas férias, para que pudéssemos apreciar e carregar no colo suas crias. Ficava alegre, serelepe e dando “chicotadas” com o rabo em nossas pernas de tanta satisfação ao mimarmos seus filhotes, sempre barrigudos e sujos de picumã. Ela chegou ao cúmulo de certa vez, nós meninos mais crescidos, e, portanto, já não ligando muito para ela, ir debaixo da casa da fazenda e trazer de lá um filhote e colocá-lo aos nossos pés, como a dizer:  – Hei! Já se esqueceu? Aí está meu rebento! Não vai carregá-lo?

Quem pode aguentar tamanha inteligência e amor por nós, meu Jesus?

Já se foram Maga, Cibele, Pandora, Baby, Paloma, Pantera, Mikita, Camões e muitos outros cães, gatos e galinhas. Estão comigo hoje Ximbica, Tutuspléh e Negão. Por sinal, a maioria fêmea. Os três últimos são gatos, e como já disse na crônica “O amor de uma gata”, dispensam a nós um amor especial, felino, meio distante, mas sincero.

Esta crônica já estava quase pronta, ou melhor, rascunhada, quando em primeiro de julho passado, uma sexta-feira, à noite, cansado de tocar os gatos machos dos vizinhos que estavam entrando pela janela da cozinha para bater no meu gato e roubar ração – e eles eram muitos – quando “um dos gatos” de três cores, não quis ir embora quando tocado. Pensei:

– Vai me encarar?

Ficamos ali, “o tal gato” e eu, olhos nos olhos. Ele continuou a comer e a olhar para mim como se eu fosse seu dono. Sentei-me no chão e percebi que era uma gata e já com certa idade, mas muito bonita; branca, preta e amarela, com um pequeno corte na orelha esquerda. Como me sentei no chão, ela se aproximou, resvalou seu corpo sedoso em mim, ronronando e o amor se deu…

Dei-lhe o nome de Juliana, pois ela chegou bem no começo de julho e descobri depois que ela tinha grave infecção no ouvido e corrimento vaginal sério. Com certeza, o (a) dono (a) descobriu a doença dela na velhice e a descartou. Deus me deu o privilégio de recebê-la.  Já está tratada, brincando, se alimentando bem e com o pelo sedoso.

Um fato interessante em Juliana: tem pavor de cães, mesmo do latido destes, mas se comporta como se fosse um deles e nunca como felino. É carinhosa como um cãozinho e quer sempre ficar perto do dono. Me acompanha pelas ruas, dentro de casa e no quintal. Tenho que ficar esperto na cozinha para não pisar na bichana com psique canina.

Para vocês que não gostam de animais e que nos criticam, peço que leiam devagar esta minha crônica e morram de inveja. Somos amados por nossos entes queridos e por nossos amiguinhos menos evoluídos. Dizem que temos, por isso, créditos com o Senhor… Quanto amor! 

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Responses

  1. qUEM NÃO AMA OS ANIMAIS, QUEM NÃO AMA AS CRIANÇAS NÃO SABE O QUE É O VERDADEIRO AMOR INCONDICIONAL
    PARABÉNS BEIJOS NANCY COBO

  2. Querida Nancy!
    Além de grande poetisa, intelectual e humanista (e sinto orgulho imenso de fazer parte do rol de seus amigos), agora você ainda se me apresenta com mais esta grande virtude: AMA OS ANIMAIS COM GRANDE PAIXÃO!
    Eles, os nossos irmãozinhos nos amam, como você disse, incondicionalmente. É amor pra mais de metro! É amor pra ninguém botar defeito! Que bom que amamos nossos queridos amiguinhos, que Deus colocou em nossas vidas, para que déssemos a eles uma chance de aprender (evoluir) através do AMOR.
    Beijão!

  3. Pai,

    Adorei este seu texto… e esta foto da Ximbica ficou PERFEITA!

  4. Obrigado filha! Sei do quanto você ama nossos irmãozinhos também. Tanto é que já se formou em biologia e mantém seu maravilhoso “Blog da Marilia”. Saudades de você e da Ximbica. Beijão!


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