Publicado por: Dirceu Rabelo | 05/11/2011

AQUELES OLHOS VERDES…

AQUELES OLHOS VERDES…

 

Dirceu Thomaz Rabelo

Minha filha Marilia, que hoje faz aniversário, foi gerada no Rio de Janeiro e sua mãe, Rosane, enfermeira e pernambucana de Recife, resolveu dar à luz à menina lá, perto de seus parentes e médicos amigos. Tínhamos os ainda quase inacessíveis planos de saúde da Amil (TV Educativa) e Golden Cross (TV Globo) e achei boa a idéia da ex-esposa.

Marcada a data da cesariana, ela partiu de avião para a capital pernambucana, levando um tesouro dentro da de si e com poucos dias recebi o telefonema de Dona Mariene, a sogra, me dizendo que tudo correra bem e que a menina era linda, cabelos ralos, mas loirinha e de olhos verdes.

Como era costume no Rio de Janeiro daquela época (1986) paguei o “xixi do neném” no bar da esquina e todos beberam cervejas e conhaques às minhas custas. Gastei uma nota com a farra dos cariocas, meus amigos. Mas valeu pela alegria da chegada da primeira filha.

Interessante ressaltar que no dia em que fui buscar mãe e filha no aeroporto, enquanto esperava as duas, encontrei uma nota de um dólar canadense no chão e joguei a milhar no jogo do bicho. A mixaria que ganhei, deu para pagar a conta do boteco e ainda sobrou uma merreca.

Passados quinze dias a patroa me liga e diz:

– Estou sabendo que aí no Rio está uma chuvarada só, e a neném faz xixi direto e fralda descartável é muito cara; só tenho fraldas de pano. Além disso, em nosso apartamento não bate sol nunca. O que vamos fazer?

Fiquei de resolver a questão e comprei uma máquina secadora “Enxuta” na loja Ponto Frio da Rua do Catete que foi a salvação da lavoura. Essa secadora até hoje – 25 anos depois – cumpre seu papel aqui em Dom Joaquim, sem nunca ter ido ao conserto; esta é uma forma de prestar tributo a um grande produto.

Secadora e bercinho comprados, chega o dia de buscar a “minha dona” e a filhinha Marilia no Aeroporto do Galeão, depois Tom Jobim.

Logo que desembarcaram, meu coração já estava aos pulos para conhecer minha cria. Mas foi uma demora terrível até aquela coisa de despachar as malas. E aqui pra nós: Rosane sempre gostou de malas; e cheias! Tanto, que se casou comigo. rsrsrs

Quando vi, cá do lado de fora do vidro que a demora seria muita, dei um sinal para que ela me entregasse o bebê, fazendo como o Bebeto na comemoração do gol do Brasil na Copa do Mundo, balançando os braços juntos. Ela entendeu e veio em direção à porta e me entregou minha “preciosa encomenda”.

Quando a tive em meus braços já senti algo maravilhoso, mas afastei-me das pessoas que esperavam seus parentes e amigos e tirei parte do paninho que cobria seu rostinho angelical… Deus meu! Que inolvidável visão! Que presente sublime me foi dado pelo Pai Celestial!

Num “piscar de olhos”, para me mostrar a marca dos antepassados de papai, seus olhinhos verde-esmeralda brilharam por debaixo dos paninhos limpíssimos e ela sorriu, ou melhor, riu quase em gargalhar, querendo dizer para mim que mais uma vez estávamos juntos em nova encarnação. Que maravilhoso encontro Senhor! Eu a reconheci imediatamente como um ser muitíssimo querido de vidas passadas, e meu amor fez-se maior ainda por aquele espírito, agora ali personificado no corpinho frágil de Marilia que o Criador me deu a honra de receber, agora como filha.

Minhas lágrimas quentes de incontida alegria molharam seus cabelinhos quase dourados, enquanto eu a beijava naquele nosso reencontro. Ela continuava dormindo em paz mesmo com o  barulho próprio dos aeroportos de muito movimento. Ela tinha a paz e a segurança da certeza de que estava de novo junto aos “seus”. Alegria suprema que Deus, na Sua Infinita Bondade nos concede.

Meus parabéns filha querida!

Dom Joaquim,05 de novembro de 2011–13h18min 

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Responses

  1. Pai,

    Me emocionei com o texto lindo que escreveu para mim!!!

    Te amo e muito obrigada!

    Mari

    • Saiu do coração minha filha. Você sabe o tamanho do meu amor por você. Beijão!

  2. Que lindo padinhoooooo!!!! Nú… Você narra tão bem que me emocionei como se eu fosse você nessa história linda… Deus na sua infinita bondade, trouxe Marília para o convívio de todos nós…. e essa danada é foda! (com todo respeito ao papai coruja) Além de linda por fora e por dentro… ela é forte, delicada e tem um caráter que deixa a gente cheio de orgulho mesmo! Quantas vezes eu vejo você babando por essa loirinha e te digo… num é só você não! Eu e muita gente aí baba (até desidratar), fácil!
    Adorei saber a história do nascimento dela ainda mais moldado com a sua emoção.
    AMO vcs, os 3 personagens dessa história i-n-f-i-n-i-t-a-m-e-n-t-e…. e morro de saudade de cada um!
    Parabéns pra Marília e pros “4” pais corujas que fizeram daquela criança linda, essa mulher que eu tanto amo e admiro!
    Bjus da afilhada e “cumadi”
    Kekê

  3. Keillinha, sem querer jogar confetes – e eu posso dizer isso sem o menor constrangimento – você escreve maravilhosamente bem. A sua descrição da leitura, daquilo que sentiu, do que sente pela prima e toda a sua explanação é fruto de muita leitura e estudo. Pode começar a escrever pequenas crônicas de fatos vividos por você que eles serão sucesso, com certeza. No mais, obrigado pelos fartos elogios querida afilhada e sobrinha que eu amo de paixão. Você é outra que já esteve conosco em outras reencarnações. Caminhemos juntos com Jesus! Besos!

  4. Meu Deus… os dois estão de complô contra mim? rs

    Todas as vezes que releio esse texto e leio os comentários fico com vontade de chorar.

    Sei que muito do que disse, kekê, é exagero… menos a parte do quanto estamos ligadas. Hoje percebo mais do que nunca o quanto minha família é importante em minha vida e o quanto eu estaria infeliz se tão tivesse vocês ao meu lado.

    Obrigada por me fazerem tãoooooooooooooo feliz!

    Amo vcs!

  5. Releio o texto e só agora me emociono mesmo! Na hora de escrever, o espírito maravilhoso de Meimei vai me ajudando, ditando um pouco, me intuindo às vezes, mas a emoção não se dá por completo, porque parece que estou numa jornada de trabalho e que não devo parar, nem me envolver com aquilo que escrevo para não cair no melodrama.
    Pode parecer petulância minha, mas Meimei me ajuda mesmo e sou-lhe muito grato por isso; ela já me ajudou diversas vezes, inclusive no poema para os 90 anos de Mamãe.
    Podem estar certas de que estamos juntos em várias jornadas, e que Jesus espera muito de nós. A “Fraternidade Espírita Casa do Caminho” que fundamos aqui em Dom Joaquim é uma Seara de bons trabalhos, onde podemos realizar, juntos, maravilhas para o nosso próximo. Que tal?
    Que o Mestre Amado nos abençôe, agora e sempre, para que trabalhemos juntos e continuemos nos elevando espiritualmente e moralmente em direção ao Pai. Beijões!

  6. de uma expressao muito profunda!!!
    me emociona a cada vez que leio!!!

  7. Nossa Marília… Até eu me emocionei…
    Linda a homenagem!!!
    Parabéns!!!!

    • Oi Luciana! Aqui é o pai da Marilia, o Dirceu do blog. Vi seu comentário e estou aqui para agradecer-lhe pelo carinho com minha filha que deve ser sua colega de escola, e por ter se emocionado com minha crônica; sinal de que atingi seu coraçãozinho com minhas palavras. Grande abraço e muito obrigado pelo comentário.

  8. Muito obrigado caro Angelo! Por que sumiu assim? Precisa aparecer mais! Ainda continua nos States? Mande mais notícias. Quanto aos texto que escrevi para Marilia, aguarde para o dia 23 de novembro o que escrevi para o aniversário de Dirceuzinho. Grande e saudoso abraço!


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