Publicado por: Dirceu Rabelo | 23/11/2011

COMO TRANSFORMAR O ÓDIO DO PASSADO EM AMOR ETERNO

COMO TRANSFORMAR O ÓDIO DO PASSADO EM AMOR ETERNO

Dirceu Thomaz Rabelo

Meu filho Dirceu que hoje, dia 23 de novembro completa 23 anos, assim como sua irmã Marília, teve sua concepção e gestação completa no Rio de Janeiro, onde morávamos e por vontade de sua mãe, Rosane, foi nascer em Recife.

Antes, porém do parto cesariana que já estava marcado com um médico amigo da família, minha ex-esposa foi com a mãe dela, D. Mariene, num famoso centro espírita lá na capital pernambucana, frequentado por todos daquele bairro e região.

Quando chegou o momento dos espíritos se incorporarem nos médiuns, uma senhora que já estava com um espírito incorporado aproximou-se de Rosane e disse-lhe:

– Este bebê que está dentro de sua barriga e que está para nascer é um espírito que tem muitas dívidas do passado com você e com seu marido.

Rosane não se abateu, pois tendo nascido em família espírita, sabia da grande possibilidade de termos em família, inimigos do passado.

Deus nos dá a oportunidade de fazermos as pazes, quando deixamos pendências no pretérito, nos reunindo em reencarnações futuras como irmãos, ou como pais e filhos, marido e mulher e por aí vai. Só mesmo o Criador para ser Portador de tanta Bondade, Misericórdia e Perfeição.

Depois que Dirceuzinho nasceu, ele e a mãe ficaram ainda mais uns quinze dias em Recife e quando retornaram ao Rio de Janeiro, já chegaram para nosso apartamento novo que eu havia comprado na Rua Cirne Maia no Méier. Um vizinho do prédio que era taxista fez um preço camarada para mim e fomos buscá-los no aeroporto.

Quando coloquei o bebê no colo, na vinda de taxi do aeroporto para casa, notei que ele era bastante parecido com minha família, mas sério; muito sério.

O menino era muito guloso e mamava no peito da mãe e como ela ainda sentia dores pela cesariana, quando ele chorava querendo peito, eu é que o pegava no bercinho e passava para Rosane.

Numa dessas noites quentes de dezembro do Rio de Janeiro, eu dormindo sem camisa e suando feito um porco, fui acordado pelo chorinho dele. Levantei-me e Rosane ligou o abajur. Peguei-lhe no berço ainda sonolento e o acomodei junto a meu corpo para que ele não caísse, e esse menino encontrou meu peito e deu uma chupada, que mais parecia um bezerro sugando o peito de uma vaca. Eu berrei de dor. E ele ali atarracado no meu peito suado, salgado; ele de olhos arregalados, parecendo um Alien! Rosane ria de balançar a cama. Custei para tirar a boca do menino do meu peito. Lembranças!

Logo depois nos mudamos para Dom Joaquim e daí a pouco tempo houve a nossa separação e as crianças e a mãe foram morar em Recife. Minha vida virou um inferno sem meus filhos. Ia a Recife para vê-los, mas a distância me matava; provação terrível! Marília aos pouquinhos veio se mudando para Belo Horizonte e Dirceuzinho continuava lá no nordeste.

Eu, instintivamente sabia que precisava ter um relacionamento mais próximo de meu filho. As notícias que eu recebia dele não era das melhores. Nas minhas orações pedia a Deus que me concedesse a graça de nos unir de alguma maneira, para repararmos as discórdias do passado e para que eu cumprisse a minha divina missão de pai terreno. Eu me sentia agoniado com o tempo passando, mas sabia que meu pedido seria ouvido pelo Pai Celestial.

Certo dia de julho, quando ele já tinha quase nove anos, recebi um telefonema dele me pedindo para passar uns dias comigo aqui em Dom Joaquim, na Festa de São Domingos. Eu teria ainda que pagar para ele, as passagens de vinda e volta de avião. Tentei convencer-lhe que aqui nessa época fazia muito frio, e que o melhor seria ele vir em dezembro, época mais quente e quando poderia passar mais tempo comigo.

A princípio ele concordou, mas depois ficou mudo ao telefone e passou o aparelho para a mãe que começou a brigar comigo. Disse que o filho estava chorando e que ele ultimamente estava falando muito em mim e querendo me ver… Pensei logo: – Esta só pode ser a Mão de Deus! Não vou perder a oportunidade que o Criador está nos dando, nesta encarnação compulsória, a mim e a meu filho.

Comprei a passagem só de vinda e fui buscá-lo em Belo Horizonte.

Esse menino chegou aqui a Dom Joaquim e mais parecia um anjo “pousando” num paraíso. Tudo para ele estava bom. Alimentava-se bem. Dormia bem. Batia perna o dia inteiro. Tirei-lhe quase todos os medicamentos que a mãe mandou que lhe ministrasse, principalmente para a dor num dos pés, onde ele tinha um probleminha. Introduzi em sua alimentação verduras, legumes e frutas. O menino virou outro. Até a aspereza, própria de grande parte dos nordestinos, o menino perdeu. Começou a dar “bom dia”, pedir a bênção, pedir licença… Começou a virar gente, pois o “Dirceu” que chegou aqui era um bicho do mato.

Quando a Festa de São Domingos acabou e que os muitos primos foram embora para suas cidades de origem, e que ele se viu só comigo e com os amiguinhos que fez aqui em Dom Joaquim, ele mesmo indagou de mim se teria que ir mesmo embora para Recife. Disse a ele que sim, embora sua permanência na minha companhia fosse tudo que eu pedia a Deus naquele momento.

De seus olhinhos sonolentos, pois ele já estava deitado, duas faisquinhas brilharam e ele implorou a mim que ligássemos para sua mãe em Recife, a fim de pedirmos a ela aprovação da permanência dele aqui.

Quando falei com Rosane sobre o assunto, ela já disse – não! – no estalo. Mas, parece que a Espiritualidade Maior já estava tratando do caso com certa antecedência e depois que conversamos um pouco mais, ela mudou de opinião. Eu tinha tempo para educá-lo e ela não; foi meu maior trunfo. Afinal ela era e ainda é enfermeira e seus horários eram naquela época, os mais complexos. Depois ele ainda conversou com a mãe e já ficou combinado que ela mandaria as roupas que ficaram para trás e das férias de dezembro e janeiro que teriam que ser passadas em Recife.

Ele tinha nove anos e estava cursando o 2º ano em Recife, mas estava tão atrasado que nós o voltamos para o 1º ano e ele começou “do começo”. Descobrimos nele a dislexia e o problema foi visto com respeito por todas as professoras que não conheciam nem a causa nem o efeito. Guarinha, hoje no Plano Espiritual, nos ajudou infinitamente no trabalho de educação do garoto. Estudei o assunto a fundo e nós conversamos muito sobre isso. O que o animou a lutar contra o grave problema de leitura e, por consequência, a escrita, foi porque descobrimos que grandes personalidades como a escritora Agatha Christie, Charles Darwin, Leonardo da Vinci, Pablo Picasso, Thomas Edison, Van Gogh, Albert Einstein eram disléxicos e mais 10% de toda a população mundial é disléxica. Ele venceu a dislexia, pois fez todas as séries em Dom Joaquim e sempre passou de ano; melhor em algumas matérias e pior em outras, mas sempre um líder e bom de cálculos. Hoje ele mora, estuda e trabalha em Recife.

Nos nove anos de convívio aqui em Dom Joaquim, conseguimos reverter as desavenças do passado e transformar os ressentimentos em amor, através do Culto do Evangelho no Lar e principalmente estudando a fundo os assuntos “reencarnação”, “vidas passadas”, “Lei de Causa e Efeito” e orando juntos para que Jesus nos desse a oportunidade de recuperarmos o tempo perdido com um passado belicoso entre nós, por um motivo que não sabemos; isso, por misericórdia do Pai Excelso.  

Dirceu, hoje é um grande amigo, companheiro e filho querido, e a antiga inimizade, graças a Deus e a nossos esforços ficou no passado.

Meus parabéns meu filho! E agora, com certeza, nossa amizade e amor serão eternos; com as bênçãos de Jesus, Nosso Mestre Amado.

 

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Responses

  1. Texto lindo, Pai… vi um filme passando em minha cabeça. Revivi os momentos de minha vida, dos mais ruins aos mais lindos!!!

    Parabéns pro Dirceuzinho também! Amo os dois!!!

  2. Obrigado filha! É essa a vida… Nós a escrevemos vivenciando os fatos; depois a escrevemos novamente, conforme a entendemos ou conforme nossa imaginação a captou. É o que está acontecendo comigo. Amo vocês! Muito, mas muito mesmo!

  3. Meu caríssimo amigo Dirceu, O seu blog para felicidade de todos nós vingou! Parabéns. 300 mil acessos apenas,porque ainda não foi merecidamente divulgado. Você o grande ator que é, está se revelando um grande escritor, e um grande paginador do seu blog. Mais uma vez lhe parabenizo, e lhe desejo um feliz natal e um ano novo repleto de criatividade que você tem de sobra. Abraço.

  4. Querido William,
    Você é um amigo leal de muitos e muitos anos. Somos irmãos. A arte nos uniu e somos artistas natos, cada um na sua. Estou aqui em Lima/Peru, visitando a família da esposa de meu filho que mora em Recife. Mais uns dias e estarei no Brasil para novas matérias e farei o máximo para enviar-lhe meu livro. Depois vou esperá-lo em Dom joaquim para uns dias de visita em minha casa. Grande e carinhoso abraço extensivo a toda a sua família. Feliz 2012.


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