Publicado por: Dirceu Rabelo | 04/01/2012

OS ESPIRITOS NÃO TRANSAM, NÃO COMEM E NÃO DORMEM!

OS ESPÍRITOS NÃO TRANSAM, NÃO COMEM E NÃO DORMEM!

 
Embora essa afirmação vá contra os ventos do movimento espírita atual, é importante observarmos o que Allan Kardec ensina, em O Livro dos Espíritos, cap. 6, perguntas 237 em diante:

SEXO: necessita de órgãos genitais. O Espírito não tem… vai penetrar o que e onde? (aliás, não tem nem sexo, ou seja, é assexuado).

SONO: necessidade de repouso físico: o Espírito não tem mais um corpo e seu descanso é exclusivamente moral e intelectual.
 
FOME: necessidade de reposição química para o organismo, a fim de restabelecer energias necessárias ao seu funcionamento: o Espírito não tem um corpo físico e com isso, não tem necessidade de repor energias assim como nós.

  Os Espíritos conservam os traços da vida física, mas não suas necessidades. Podem ainda, por um tempo maior ou menor, experimentar necessidades que possuíam em vida, mas não são mais as necessidades REAIS, e sim uma impressão em maior ou menor intensidade, de acordo com sua maior ou menor evolução.

  Com isso, podem supor ainda necessitar de alimentação, sexo, ou sono, mas isso não chega a ocorrer, tornando-se para uns uma provação. Suas necessidades tornam-se, na vida espírita, diferentes das nossas, pois, desprovidos de um envoltório físico, deixam de sofrer as angústias deste, embora algumas vezes sofram outras ainda maiores, mas ainda assim, tais sofrimentos são exclusivamente morais ou intelectuais, e não físicos.

  Uma pessoa que tem um dos membros amputados ainda sente o membro durante algum tempo. Não é o períspirito, como afirmam alguns; o cérebro conservou a impressão, eis tudo.

  Algo semelhante ocorre com os Espíritos que deixam a vida física. O impacto da vida ainda repercute sobre eles, durante um tempo, mas pouco a pouco eles recobram a consciência e a lucidez de Espírito e as antigas necessidades desaparecem, dando lugar a outras.

  Sem dúvidas não possuímos inteligência que nos permita compreender a profundidade da essência espiritual ou do corpo perispiritual, no entanto possuímos uma base e não devemos reinventar a roda.

  Embora Kardec não fale abertamente sobre muitos assuntos atuais, não é por isso que deixou de fornecer elementos que, se bem compreendidos, nos ajudam a entendê-los. É o que ocorre em relação à questão da alimentação e outras ações que dizem respeito exclusivamente à natureza animal (corpo físico).

  Quando estamos encarnados, além de termos de suprir nossas necessidades morais e intelectuais, somos obrigados a suprir também as necessidades físicas. Quando deixamos a vida física, seja pelo sono, seja pela morte, tais necessidades não nos acompanham, pois pertencem única e exclusivamente ao corpo.

  A confusão que se faz é que mesmo fora do corpo, conservamos a impressão deste que de certa forma repercute sobre nós e nos dá a sensação de que ainda necessitamos de coisas que fazem parte vida material. No entanto, ter esta sensação não implica em necessidades reais e o Espírito pode então criar uma ilusão, mas isso somente para Espíritos que realmente dão maior importância para as questões materiais que às espirituais.

  Principalmente após a separação da vida física, pela morte, o Espírito, pouco a pouco, recobra sua lucidez e a impressão do corpo físico desaparece. No caso de Espíritos mais ligados às questões materiais, essa impressão pode persistir por um tempo maior ou menor, de acordo com seu grau de evolução e é isso o que estudamos por “Perturbação Espírita” que, segundo os Espíritos, pode variar de alguns minutos a alguns milhares de séculos.

  Mas o fato de se estar perturbado não equivale dizer que não há noção do seu estado. Perturbação Espírita significa adaptação na vida espírita. Companheiros costumam confundir perturbação espírita com ignorância da morte, ou seja, atribuem esse princípio a Espíritos que dizem não saber que morreram. Realmente existem Espíritos nestas condições, mas por quanto tempo? Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, cita que “é raro um Espírito que em torno de 8 a 10 dias mais ou menos não tenha noção do seu estado como Espírito”, ou seja, não saiba que morreu. É raro, e não corriqueiro como o querem alguns espíritas pelo movimento afora.

  Quando o Espírito está livre da vida física, entrevê sua existência com outros olhos, ou seja, com outra percepção, independente do seu grau evolutivo. Naturalmente que se for um Espírito de maior evolução, tal percepção será ampliada na mesma proporção, mas independente de ser mais ou menos elevado, a visão que possui sobre as coisas, sob todos os aspectos, é muito diferente daquela que ele possuía quando em vida física, pois nesta, sua percepção se retinha no imediato, e na espiritualidade, abrange o infinito. Assim, é muito comum que deixemos de dar valor às coisas que julgamos mais importantes enquanto encarnados, assim como uma criança que briga por seu brinquedo e quando se torna adulto, vê a infantilidade das discussões criadas em torno de um simples objeto.

  Se nos víssemos fora do corpo, possivelmente não nos reconheceríamos, pois quando no corpo, somos incitados a viver um personagem que desaparece quando estamos libertos, porque o personagem é imposição atribuída pelos laços físicos. Em Espírito, não possuímos mais personalidade, mas individualidade; deixamos de ser fulano ou ciclano, e voltamos a viver, não mais esse personagem, mas um Espírito individual e imortal, sem nome, sem raça, sem sexo.

  Pode me perguntar: “Mas e quando vemos, lemos, ouvimos sobre Espíritos que se apresentam com as características da última existência? E esses Espíritos que se apresentam contando detalhes de sua vida, falando como pais, filhos, mães ou irmãos? Não apresentam aí uma personalidade?” Sim. Apresentam a personalidade com a qual foram solicitados. Mas se o chamássemos pelo personagem que ele foi a três encarnações passadas, ele tomaria então aquela forma e trejeitos, e nos atenderia de acordo com o personagem ao qual foi solicitado comparecer. O Espírito não possui identidade, mas pode assumir uma ou outra para melhor se identificar e geralmente conserva, após a morte, a aparência que teve na última existência. Mas ainda uma vez: essa aparência não é uma necessidade real, somente uma opção.

Voltemos às necessidades físicas.

  Os espíritos não têm mais um corpo físico. Sem o corpo físico, estão livres das necessidades que este possuía: fome, sede, sono, sexo etc. Isso tudo fazia parte do corpo.

  Ocorre que alguns Espíritos conservam estas necessidades, mas não podemos confundi-las com as necessidades reais, pois se fossem reais, seriam para todos e não estariam vinculadas ao grau evolutivo. Se a alimentação fosse uma necessidade do Espírito, teria que ser para todos e não somente para alguns, assim como aqui na Terra, bons e maus, justos e injustos, tem que comer. O mesmo para todas as outras necessidades. Alguns Espíritos, por sua condição moral e intelectual, podem conservar com maior intensidade os traços da vida física e criar A ILUSÃO de que ainda precisam se alimentar, mantendo a sensação da fome, mas ainda assim, não equivale dizer que se alimentarão. “Poxa vida… parece que aprendemos tudo ao contrário”, você pode me dizer. Não que seja ao contrário, mas que toda essa teoria é a apresentada por Allan Kardec que deve ser sempre nosso porto seguro. Foi ele, juntamente com os mais sérios Espíritos, que trouxeram toda essa teoria. “Mas então deixam que os Espíritos passem fome? Não dão o que comer a eles? Não é isso uma tremenda falta de caridade?” Bem, se realmente tais perguntas fizeram parte da sua mente, talvez você ainda não tenha compreendido a fundo a questão.

  Os Espíritos não tem fome. É apenas uma sensação que passa e quanto mais demora a passar, maior é a prova desse Espírito. É o mesmo que pensar que os Espíritos faltam com a caridade por não acenderem a luz para aqueles que se veem na escuridão. A escuridão é um estado particular de cada um, uma provação dada a alguns Espíritos; mas a escuridão em si, tal como a vemos na Terra, não existe para o Espírito. Aqui temos o claro e o escuro, porque nossos olhos precisam da luz para poder enxergar. Na falta dela, não vemos nada.

  O Espírito não possui olhos, assim como nós, pois os olhos são órgãos materiais. Conserva a forma, mas forma não equivale a dizer órgãos. Desse modo, o Espírito vê, não mais por órgãos localizados, mas em todo o seu ser. Não precisa mais da luz para ver e é por isso que pode ver até mesmo sobre corpos opacos. Se ele pensa estar na escuridão, essa é uma provação que lhe foi imposta e que deve cessar assim que cessar a causa que cria em seu ser tal ilusão, ou seja, é um estado particular.

  O mesmo ocorre com a fome ou com outras necessidades. Não são as necessidades que ele possuía quando no corpo, mas a sensação destas necessidades. Essa sensação deverá desaparecer assim que o Espírito se libertar da impressão causada pelo corpo, o que dura um tempo maior ou menor de acordo com sua evolução e com o apego que este possuía em relação à vida material. Algo semelhante ocorre com pessoas que amputam um membro e que durante um tempo ainda sentem a presença do mesmo. O cérebro conservou a impressão.

  O Espírito não possui cérebro, nem órgãos, mas um corpo perispiritual que lhe transmite sensações. Após deixar o corpo, assim como a pessoa com o membro amputado, conserva a impressão do corpo, mas é somente uma impressão e independente se possui fome, sede, frio, desejos sexuais, como não tem mais um corpo, não há o que saciar, pois estas sensações são físicas e não do Espírito. Assim como a pessoa com o membro amputado, que embora sinta coceira no membro que não existe mais, NÃO O PODERÁ COÇAR, o Espírito, embora sinta a resistência de algumas necessidades, não poderá supri-las, porque lhe falta o objeto principal, que é o corpo. Daí surgem para alguns tristes provações.

  O que vemos no movimento espírita atual é uma inversão de valores. Querem que o Espírito seja lúcido no corpo e tolo como Espírito, quando o que ocorre é o oposto. Quando estamos encerrados na vida física, grande parte de nossas percepções são bloqueadas (ver questão 22ª de O Livro dos Espíritos) e somos incitados a viver o aqui e o agora. Como Espíritos, as coisas se passam de forma muito diferente.

  Daí a importância de Allan Kardec em nossas vidas.

  Muitos se dizem espíritas, mas não sabe sequer qual é a pergunta número 1 de O Livro dos Espíritos.

  Muitos amigos e companheiros espíritas ficaram intrigados com a série de artigos que publicamos sobre as sensações e necessidades dos Espíritos. Alguns imaginam que estamos negando tudo o que Chico Xavier trouxe, juntamente com Emmanuel e André Luiz, a respeito da vida dos Espíritos. No intuito de sanar essas dúvidas, julgamos útil publicar algumas novas considerações, tentando ser o mais claro possível, de modo a evitar maiores confusões.

  Em A Gênese, cap. 14 (dos Fluidos), Allan Kardec, juntamente com os Espíritos, nos ensina que “O pensamento é para o Espírito o que a mão é para o homem”.

  Assim, nós criamos com o pensamento tudo o que existe, tanto aqui como lá, na diferença de que aqui precisamos materializar com o recurso das mãos, aquilo que projetamos com o pensamento.

  Desse modo, os Espíritos podem criar tais cidades espirituais que inegavelmente existem e se podem criar cidades, podem criar sopas.

  Êpa! Então você se contradisse em tudo no seu artigo?

  – Não. Continuo afirmando que o Espírito não come.

  Uai, mas se ele pode projetar uma sopa pelo pensamento, é porque essa sopa servirá para alimentar alguém?

  – Sim.

  Eita! Então você está afirmando agora tudo o que negou antes?

  – Não.

  Então não entendi patavinas do que você quer dizer. Explique.

  – O fato do Espírito “projetar” uma sopa, não significa que é sopa, tal qual a conhecemos aqui. Digamos que o Espírito projete uma feijoada deliciosa, cheirosa com tudo o que há de melhor nela. Pois bem, ainda assim é só uma projeção.

  Mas o espírito pode comer essa feijoada e se sentir saciado?

  – Sim, pode comer, pode sentir-se saciado, mas ainda uma vez: é projeção e não comida de verdade… Digamos que seja somente para suprir nele uma ilusão de fome.

  Vou dar um exemplo:

  Allan Kardec conta que um médium viu um Espírito sentado ao piano, tocando-lhe as teclas e o piano produzia perfeitamente a peça que ele tocava. Bem, o Espírito não pode tocar nas teclas do piano, pois para isso precisaria de músculos. Mas como ele foi visto tocando nas teclas e o piano correspondendo às notas? Ocorre que ele “acreditava que tinha necessidade de tocar com os dedos”. Não compreendia que quem estava desempenhando aquela função era simplesmente seu pensamento e sua vontade, e como julgava ainda precisar tocar nas teclas, assim o fazia, na “ilusão” de que era com os dedos que tocava.

  Ocorre o mesmo com Espíritos que, embora podendo transpor paredes, acreditam que estas ainda lhe são obstáculos. O obstáculo somente existe em SEU pensamento, mas não é um obstáculo real. A partir do momento que ele percebe isso, o obstáculo deixa de existir. É o mesmo que ocorre com as sensações de fome, frio, sede, necessidade física como ir ao banheiro, tomar banho, etc. São sensações que só existem em seu ser, ou seja, são particulares de cada um. A partir do momento que o Espírito tiver consciência disso, tais necessidades desaparecem, provando que não eram necessidades reais, mas espécie de ilusão deixada pelo impacto da vida física.

  Ele pode projetar uma sopa e comer? Pode. Pode tomar um suco, uma bebida alcoólica ou um sorvete? Pode. Pode fumar (ver em O Livro dos Médiuns – Laboratório do Mundo Invisível), beber, se drogar, enfim, fazer tudo o que fazia em vida física? Pode. Mas isso tudo só existe porque ELE quer, é algo particular de cada um e não uma necessidade real de todo e qualquer espírito. As sensações que ele experimenta neste estado são ILUSÕES que, embora tenham algo de real, continuam sendo ilusões.

  Mesmo para Espíritos vulgares, pouco evoluídos, a partir do momento que ele percebe que não tem mais necessidades, isso tudo desaparece. Não está relacionado a evolução – embora com a evolução tais perturbações sejam cada vez menos intensas – mas ao estado emocional e mental de cada um.

  Mesmo aqui na Terra, quantas vezes vivemos algo que se nos apresenta indispensável, e quando perdemos esse algo, percebemos que podemos viver tranquilamente sem a sua presença. Quantas vezes vivemos ilusões que são perfeitamente reais e que somente depois é que percebemos nosso engano e caímos na realidade?

  Se isso acontece aqui, ainda mais na vida espírita.

  Em resumo, os Espíritos não comem, não dormem, não transam, mas podem conservar sensações que os perturbam nestas necessidades, podendo assim projetar coisas no intuito de suprir estas necessidades, mas isso tudo, por mais real que possa parecer, é mera ilusão, independente de evolução, que deve desaparecer assim que desapareçam as causas destas sensações.

Texto retirado do site do autor http://www.andreariovaldo.com.br/
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