Publicado por: Dirceu Rabelo | 14/01/2012

APOSENTADOS COM MAIS DE UM SALÁRIO MÍNIMO ESTÃO SENDO ROUBADOS!

APOSENTADA OU NA ATIVA, CLASSE MÉDIA É QUEM PAGA AS CONTAS, MAS RELAXA E GOZA.

Matéria do Jornalista PEDRO PORFÍRIO
“O achatamento salarial experimentado por esses brasileiros atingiu níveis insuportáveis. Com o fim da vinculação das aposentadorias e pensões ao salário mínimo, a política de recuperação salarial desse indicador, com base no crescimento real do Produto Interno Bruto mais a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, previsto na Lei 12.382, de 2011, pode agravar as distorções entre os beneficiários da previdência que recebem esse piso e àqueles que ganham além dele”.
Vanessa Grazziotin, senadora pelo PC do B do Amazonas.
Se é verdade que a política de aumento real do salário mínimo do governo federal tem contribuído para melhorar a vida de milhões de brasileiros, é igualmente verdade – e é sobre isso que devemos nos debruçar – que quem está pagando por esse louvável avanço é a classe média, incluindo aí pequenos empresários e a grande faixa de assalariados que são tributados por todos os lados.
Em breve, todos os aposentados ganharão o mínimo
No caso dos aposentados e pensionistas, que são referências para as políticas salariais, há uma perspectiva sombria para quem faz cálculo dos seus benefícios tomando por base o mínimo: dentro de no máximo 10 anos, a seguir a fórmula atual, todos estarão ganhando o piso e essa distorção é extremamente injusta: não se pode cobrir um santo e descobrir outro.
Quando se trata de aposentados e pensionistas, há uma dependência total de políticas autoritárias, porque esses, ao se desligarem da produção, perdem sua capacidade de pressão. Por mais que uma minoria atuante chegue ao Congresso levando o seu grito em defesa da lógica dos benefícios, a falácia dos ministérios da área econômica prevalece.
Neste momento, em função dessa agressão à lógica, quem ganha (ou ganhava) mais de um salário mínimo vai ficar “mais pobre”, pois enquanto se assegura uma correção de 14,1% no piso para 19 milhões de aposentados e pensionistas, os outros 8 milhões terão uma correção de 6,08%, abaixo do índice oficial da inflação. Estima-se que desses 8 milhões, quase 1 milhão cairão para a faixa do mínimo, embora tenham se aposentados com três salários ou mais. Além disso, é bom que se saiba: a aposentadoria média de quem ganha mais do que o mínimo é de R$ 780,00.
Perda de 76% da renda em 18 anos
Cálculos cravados da Confederação Brasileira de Aposentados e pensionistas demonstram que os aposentados e pensionistas do segmento médio amargaram uma perda de sua remuneração em 76% nos últimos 18 anos.
Nesse diapasão, o advogado baiano Marcos Barroso, membro do Conselho Jurídico da COBRAP, cita o exemplo do aposentado Lino Davi, dirigente da entidade: quando se aposentou, ele deveria receber 8,5 salários mínimos. Em 1994, já recebia o equivalente a 7,3 salários. Hoje, a situação dele é ainda pior: Davi receberá, em 2012, 3,65 salários, o que representa R$ 1.989,25.
Na ativa, a carga pesada não é diferente
É bom que se ressalte que o arrocho da classe média se dá também entre os assalariados da ativa: o rol dos seus gastos em 2012 será infinitivamente maior do que em anos anteriores, sua carga tributária começa a se tornar insuportável e o nível de serviços essenciais oferecidos pelo Poder Público o leva a uma situação esdrúxula e perversa: nesses últimos 30 anos, o cidadão de classe média se viu na condição de “multicontribuinte”.
Dos impostos que paga, incluem-se recursos para a saúde, a educação, a segurança e os serviços públicos, entre outras rubricas: não obstante, ele se vê obrigado a comprar à parte esses mesmos serviços, despendendo boa parte de sua renda em planos de saúde, escolas particulares, pedágios e, imagine, em serviços privados de segurança.
A mídia, infelizmente povoada de incompetentes, habituou-se ao hábito do papagaio e não se constrange em festejar o “crescimento da classe média”, quando uma faixa da população engrossa e passa a se enquadrar numa tabela aleatória de órgãos como a Fundação Getúlio Vargas.
Para essa entidade, quem ganha mais de R$ 1.200,00 até R$ 5.170,00 faz parte da “Classe C” e representa o maior contingente de assalariados do país, com 101 milhões de brasileiros ou 53% da população. Curioso que quando se refere à Classe B” , a faixa é bem mais estreita: R$ 5.174 a R$ 6.745,00. Já é considerado da “Classe A” quem tem uma renda superior a R$ 6.745,00.
Despesas maiores do que em outros países
Em todas as faixas, há hoje algo em comum: quem vive de salários é quem paga a duras penas os tributos no Brasil. No caso do Imposto de Renda, quem ganha mais de R$ 3.743,19 por mês vai ter que pagar 27,5%, isto é, para esse valor o dinheiro comido pelo leão, excluídas eventuais deduções, somará R$ 692,78 mensais.
Esse mesmo cidadão também paga impostos a cada passo que dá. Ao acender a luz, ele morre em 45% em tarifas disfarçadas por meio de siglas que a grande maioria da população sequer sabe que o que significa e para o que serve. As empresas do setor calculam que esses encargos totalizarão R$ 19,2 bilhões neste ano, um salto de 7,9% em relação a 2011.
Já na gasolina, a mordida é ainda maior: 55% são taxas e tarifas embutidas, o que nos leva a pagar pelo combustível 70% mais do que em Nova York. Se compararmos os preços da gasolina que pagamos no Brasil em relação à Venezuela de Hugo Chávez, você vai ficar de queixo caído: neste momento, o custo de um litro do combustível lá é o equivalente a R$ 0,10 – isto é, com apenas R$ 5,00 você enche um tanque de 50 litros. Isso tem aumentado o contrabando de gasolina venezuelana para o Brasil e até mesmo a ida de carros para abastecer seus tanques lá.
De longe, os principais fardos do combustível nacional são o ICMS e a CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), que agrupa em uma só rubrica PIS, COFINS e antiga PPE (Parcela de Preço Específica). Os dois tributos mencionados acima respondem por, respectivamente, 32% e 21% do valor pago pelo consumidor brasileiro.
Saturada, mas embalada por fantasias milionárias
Todos os estudos levam a uma situação de saturação financeira da classe média e, no entanto, esse segmento de escolaridade razoável, refugia-se na despolitização mais burra: isto é, faz questão de ser alienada e ainda vive no mundo da fantasia da vida dos grandes milionários, como se um dia pudesse desfrutar do mesmo padrão de vida.
Uma classe média aversa ao conhecimento político é facilmente manipulável por quem joga com seus sonhos e sua desorganização individualista, embora seja ela, paradoxalmente, detentora de alta carga multiplicadora de informações.
Seria muito bom que VOCÊ começasse a refletir sobre o caráter autofágico dessa postura. Seria melhor ainda se conversássemos mais a respeito, abstraindo preconceitos, preferências e idiossincrasias.

VOCÊ não acha?
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