Publicado por: Dirceu Rabelo | 09/02/2012

OS VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA (ARGENTINA)

OS VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA (ARGENTINA)

Dirceu Rabelo

Los hermanos argentinos estão reivindicando pela enésima vez na ONU, a posse daquelas ilhotas de criar cabritos, encravadas nos confins do Atlântico Sul, já próximas da Antártida (ou Antártica – bem gelada) e que eles teimam em chamar de Malvinas, enquanto que o Reino Unido, dono do pedaço, chama de Falklands. Não vão ganhar nunca. Vão é tomar mais míssil no pé do ouvido e pronto. Povinho enjoado e metido a besta, esses argentinos!

Aliás, o buraco é mais embaixo: O Reino Unido tomou da Argentina em 1833, na marra, alguns arquipélagos austrais, dentre eles as Ilhas Falklands, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul. (Olha só o nome; fala sério!) E estamos conversados.

Mas, acontece que durante o conflito armado que ficou conhecido como a Guerra das Malvinas, em 1982, eu morava no Rio de Janeiro e trabalhava nas TVs Globo e Educativa e era ator-funcionário das duas. Não me lembro bem qual peça, mas, parece-me que eu estava ensaiando “O Santo Inquérito” também. E era uma correria danada para mim. E a potente Inglaterra (aqui chamada de Reino Unido) lascando fogo nos aviõezinhos dos argentinos e os otários se matando por causa das tais ilhotas geladas e cheias de pedras e focas.

Certo dia, ainda cedo, e eu havia deitado tarde por conta dos ensaios da peça, a campainha da porta do meu apartamento começou a tocar insistentemente e quando consegui sair da cama para atender, dei de cara com dois conterrâneos: Roney de Pedro Quitu e Tiãozinho de Lili.

Estranhei a visita, primeiramente pelo horário esquisito; e “segundamente” pelos dois personagens que normalmente não apareceriam sem me ligar, já que o meio artístico, para quem tem idéia é totalmente descontrolado.

Mas vamos lá, porque vem chumbo grosso por aí!

Entraram e sem cerimônia me pediram algo para comer, pois estavam com muita fome e sede, por terem viajado de Dom Joaquim ao Rio quase que direto e só com o dinheiro da passagem. Jesus! Me acuda!

Achei aquilo muito louco para ser verdade, mas, haveria mais loucura ainda a ser dita e ouvida. Depois de saciada a fome, eles me disseram o motivo da viagem ao Rio de Janeiro:

– Foram até lá, para procurar a Embaixada da Argentina na Cidade Maravilhosa, pois queriam se apresentar como voluntários na luta com os “hermanos” em defesa das Ilhas Malvinas.

Eu posso com aqueles dois malucos!

Expliquei para eles que a embaixada da Argentina era em Brasília e que no Rio só tinha consulado, e que esse ficava na Praia de Botafogo, perto lá de casa. Eu ainda tentei convencê-los de que era impossível partirem para a guerra, que era loucura, que o consulado não aceitaria, que…

Mas eles insistiram em ficar até conseguirem falar com alguém do consulado. E “fincaram barraca” lá no meu pequeno bangalô. Ficaram dormindo na sala.

Eu passava aperto, porque comia qualquer coisa na rua, perto das emissoras de TV e tudo bem; mas, e as visitas?

Comecei a levantar mais cedo e fazer comida pra eles. No primeiro dia eu fiz uma costela de boi com batatas e arroz carreteiro que o Tiãozinho deu até bicota. No segundo dia, um baita de um espaguete com bife de fígado; e fui levando com a barriga, no verdadeiro sentido da palavra, os dois aventureiros, aprendizes de mercenários. O pobre do Roney só ficava calado e o Tiãozinho era o atiçador e chegava a bufar de ódio incontido contra os britânicos.  

Eles me deram muito trabalho, mas, eu achava até graça na ingenuidade dos dois e deu no que deu: o pessoal do consulado já não aguentava mais ver a cara deles e o despacho foi inevitável. Caiam fora!

Eles ainda aproveitaram que estavam no Rio e pegaram uma prainha ali no Flamengo, perto de casa por mais alguns bons dias. Foram pelo menos duas semanas. Depois eu os coloquei de graça na “Casa dos Estudantes”, já na Praia de Botafogo, dando uma carteirada com meu crachá da Globo. Mas, eles continuaram tomando suas refeições lá em casa. E como comiam as “duas dragas”…

Fiz a crônica, pelo momento de ingênuas e improfícuas lamentações dos argentinos na ONU e fiquei com saudades dos dom-joaquinenses, aprendizes de mercenários. Há muito não os vejo!

Não me lembro bem como eles voltaram para Belo Horizonte, mas acho que contribuí com a passagem de volta dos dois…

Espero que eles não se encontrem de novo e tentem voltar ao combate…

ALGUÉM ME AJUDA AÍ…

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