Publicado por: Dirceu Rabelo | 22/04/2012

O DIA EM QUE UM MARACANÃ LOTADO ME CHAMOU DE BICHA

O DIA EM QUE UM MARACANÃ LOTADO ME CHAMOU DE BICHA

Dirceu Thomaz Rabelo

Em 1985 eu já morava no Rio de Janeiro e trabalhava como funcionário na TV Educativa – Canal 2, onde fazia os trabalhos de ator, apresentador e até de locutor.

No aniversário de 35 anos do Estádio Mário Filho, o popular e mundialmente conhecido Maracanã, em 16 de junho daquele ano, as redes de TV e rádio produziram uma vasta programação para homenagear aquele que era chamado pelos locutores da época como “o maior estádio do mundo”. E Waldir Amaral, Willy Gonser, Jorge Curi, Geraldo José de Almeida e outros mais falavam isso, lá de dentro do “útero” a toda hora, em suas narrações dos jogos de futebol.

A TVE, como era chamada a Fundação Centro-Brasileiro de TV Educativa, também programou uma  homenagem à data, e eu entrei na parada com uma apresentação geral daqueles espaços do Maracanã, onde uma pessoa comum nunca poderia ficar, ou ir normalmente.

Gravei cenas mostrando a velha e grande marquise (o teto) que cobria as arquibancadas e sua grandiosidade, lá em cima mesmo, e sentado na pontinha da pilastra, sem cinto de segurança; um baita perigo e sempre falando um texto de apresentação daquele local. Depois fiz o mesmo nos vestiários, nas cabines de rádio e televisão e em outros locais daquele gigante e monumental estádio carioca, orgulho de todos nós brasileiros.

Faltava uma cena final e ela seria gravada no domingo seguinte no centro do gramado, antes (alguns minutos) de começar o jogo Flamengo x Fluminense. E o texto era enorme…

Só de pensar nisso, eu sentia um frio na barriga.

Quando chegou o dia, um domingo ensolarado, o “Maraca” lotado, clima tenso, o árbitro José Roberto Wright tinha sido escalado para apitar aquela partida e de cara ele não deixou ninguém da imprensa entrar em campo. Mas, como a TV Educativa era do Governo Federal e nós estávamos ali só para gravar  aquele pequeno texto comemorativo, ele deu permissão para nossa entrada por, no máximo 5 (cinco) minutos, que no frigir dos ovos, acabou virando dez.

Agora, imaginem a cena: eu, no centro do gramado do Maracanã, sozinho, atrasando o Fla x Flu, todo mundo e até as equipes me esperando; eu, nervoso, claro, errando o texto e as duas torcidas gritando uníssonas: BICHA! BICHA! BICHA! 

Até que, finalmente acertei a praga do tal texto e aquilo foi para o ar assim mesmo…

E os sacanas dos colegas da TVE ainda aproveitaram para me sacanear; quando editaram esta cena gravada no centro do Maracanã é que o responsável pela edição dos caracteres colocou meu nome na tela.  

Então ficou lá, na altura do meu peito: Apresentação: DIRCEU RABELO

E ao fundo, ouvia-se o coro do Maracanã lotado: BICHA! BICHA! BICHA!

Do aperto que passei, tirei uma conclusão: Não é nada bom ser uma biba desconhecida, presa numa arena, e odiada por mais ou menos 80.000 pessoas!

Credo!!! Que gentinha mais selvagem…

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Responses

  1. BICHA BICHA BICHA

  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Passei o maior aperto caro João! Você é que não pode imaginar!
    Um abraço mineiro!


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