Publicado por: Dirceu Rabelo | 13/06/2012

OS INCONVENIENTES DE SER RIO

OS INCONVENIENTES DE SER RIO

Dirceu Rabelo

 Nem cismavam as gretas de pedras

Das serras de Diamantina

Quando começaram a parir

As águas do Rio do Peixe

Que as dores do parto

Não terminariam ali

Segue seu filho bastardo

Lambendo o lodo das lapas

Engrossando seu leito preguiçoso

Serpenteando feito gari

Lavando areia aqui e ali

Levando com os sedimentos

Os preciosos frutos da ganância

Purificando a alma do Serro

Ressurgindo em Alvorada

Ali sendo estuprado pelo garimpo

Que ralam seus barrancos sem dó   

Irrompendo em Dom Joaquim

Onde para incrédulo!

Aqui, um grande minerossauro

Fuça suas margens

Bem onde ele é deflorado

Pelo desalmado e fedido Rio Folheta

Fecharam questão!

Vão levar suas águas para o mar

Com canudões, em sucção

Por outros caminhos

Que não os normais

Quanta maldição!

Mas, suas águas não vieram do mar?

E para lá não estão indo…

Naturalmente?

Por que não deixam?

Fecharam questão (já não foi dito?)

Mas, o que restar do rio – se restar!

Continuará agora

Cambaleante como um bêbedo 

Mais magro, mirrado

Coitado, malgrado progresso

Desaguando quase seco

No Rio Santo Antônio

Triste sina ser rio

Onde riem de seu

Líquido estado de ser.

 

NR) 1º dia da “CONFERÊNCIA AMBIENTAL RIO + 20”   

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Responses

  1. Simplesmente MARAVILHOSO!!!!!!!!!!!!!! Chega a me cutucar o coração feito punhal de palavras – benditas que sangram e seguem sinuosas feito o proprio leito de vida e morte deste RIO que ainda nada contra a maré feito piau vermelho em busca de refúgio…esse poema deixa marcas indeléveis feito ferro quente no coro de gado novo…Nem todo ouro do mundo junto vale um poema feito do grito da alma que (re)clama e declama o sentimento do mundo- dos – Raimundos; quem vão seguindo com muitas rimas e poucas soluções…Mundo, mundo…vasto Mundo!!!…

  2. Claudinho, caro poeta, primo e amigo…
    Seu comentário já é um poema; lendo-o penso ser uma continuação do meu … Esse grito já estava engasgado aqui há algum tempo e só agora o pari.
    O que seria da natureza se não fôssemos nós, poetas, jornalistas, ecologistas, ambientalistas, futuristas, loucos… E olha que nós temos um pouco de tudo isso.
    Vamos em frente, pois a luta vai ser acirrada e longa.
    Abraço firme no seu espírito forte!


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