Publicado por: Dirceu Rabelo | 02/08/2012

ALÉM DA MORTE

ALÉM DA MORTE

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Cumprida mais uma jornada na terra, 
seguem os espíritos para a pátria espiritual, 
conduzindo a bagagem dos feitos acumulados 
em suas existências físicas.
Aportam no plano espiritual, nem anjos, nem 
demônios. São homens, almas em aprendizagem 
despojadas da carne.
São os mesmos homens que eram antes da morte.
A desencarnação não lhes modifica hábitos, 
nem costumes. Não lhes outorga títulos, 
nem conquistas. Não lhes retira méritos, 
nem realizações. Cada um se apresenta após a 
morte como sempre viveu.
Não ocorre nenhum milagre de transformação 
para aqueles que atingem o grande porto.
Raros são aqueles que despertam com a consciência 
livre, após a inevitável travessia.
A grande maioria, vinculada de forma intensa às 
sensações da matéria, demora-se, infeliz, 
ignorando a nova realidade.
Muitos agem como turistas confusos em visita 
à grande cidade, buscando incessantemente 
endereços que não conseguem localizar.
Sentem a alma visitada por aflições e remorsos, 
receios e ansiedades. 
Se refletissem um pouco perceberiam que a 
vida prossegue sem grandes modificações.
Os escravos do prazer prosseguem inquietos.
Os servos do ódio demoram-se em aflição.
Os companheiros da ilusão permanecem 
enganados. Os aficionados da mentira 
dementam-se sob imagens desordenadas.
Os amigos da ignorância continuam perturbados.
Além disso, a maior parte dos seres não é capaz 
de perceber o apoio dispensado pelos espíritos 
superiores. Sim, porque mesmo os seres mais 
infelizes e voltados ao mal não são esquecidos 
ou abandonados pelo auxílio divino.
Em toda parte e sem cessar, amigos espirituais 
amparam todos os seus irmãos, refletindo a 
paternal providência divina.
Morrer, longe de ser o descansar nas mansões 
celestes ou o expurgar sem remissão nas zonas 
infelizes, é, pura e simplesmente, recomeçar a viver.
A morte a todos aguarda. 
Preparar-se para tal acontecimento é tarefa inadiável.
Apenas as almas esclarecidas e experimentadas na 
batalha redentora serão capazes de transpor a barreira 
do túmulo e caminhar em liberdade.
A reencarnação é uma bendita oportunidade de 
evolução. A matéria em que nos encontramos 
imersos, por ora, é abençoado campo de luta e 
de aprimoramento pessoal.
Cada dia de que dispomos na carne é nova 
chance de recomeço. Tal benefício deve ser 
aproveitado para aquisição dos 
verdadeiros valores que resistem à própria morte.
Na contabilidade divina a soma de ações nobres 
anula a coletânea equivalente de atos indignos.
Todo amor dedicado ao próximo, em serviço 
educativo à humanidade, é degrau de ascensão.
Quando o véu da morte fechar os nossos olhos 
nesta existência, continuaremos vivendo, em 
outro plano e em condições diversas.
Estaremos, no entanto, imbuídos dos mesmos 
defeitos e das mesmas qualidades que nos 
movimentavam antes do transe da morte.
A adaptação a essa nova realidade dependerá 
da forma como nos tivermos preparado para ela.
Semeamos a partir de hoje a colheita de venturas, 
ou de desdita, do amanhã.
Pense nisso.

( Divaldo Pereira Franco)

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