Publicado por: Dirceu Rabelo | 11/09/2012

A VELHICE SEGUNDO PHILIPPE NOIRET

A VELHICE SEGUNDO PHILIPPE NOIRET

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Tenho a impressão que fabricam escadas mais duras do que antes. 

Os degraus são mais altos e em maior quantidade. 
Sinto que cada vez é mais difícil subir dois degraus ao mesmo tempo.
Hoje só sou capaz de subir um de cada vez. 
Também notei que as tipografias utilizam cada vez mais as letras pequenas.
Preciso afastar cada vez mais os jornais de mim para os conseguir ler, e tenho que piscar os olhos para conseguir. 
Aqui há dias quase que tive  de sair da cabine telefônica para conseguir ler os números que indicavam o valor das moedas a colocar na fenda. 
É ridículo de sugerir que uma pessoa da minha idade precise de óculos, mas para mim a outra única maneira de saber as notícias é de pedir a alguém que as leia em voz alta, mas isso não me agrada, porque hoje em dia as pessoas falam tão baixinho que tenho dificuldades em ouvi-las. 
Está tudo cada vez mais longe.
A distância da minha casa até à estação da estrada de ferro é o dôbro, e eu nunca tinha reparado que havia uma subida assim tão inclinada. 
Além disso, agora os trens partem mais cedo. 
Perdi o hábito de correr para os apanhar, uma vez que eles arrancam antes de eu chegar. 
Também já não fazem as roupas como antigamente. 
Todas as minhas roupas têm tendência a encolher, especialmente na cintura. 
Cada vez tenho mais dificuldades para conseguir lidar com os cadarços dos meus sapatos.
Até a meteorologia mudou. 
Faz muito frio no Inverno e no Verão faz um calor imenso. 
Gostaria de continuar a viajar se não fosse tão longe. 
Agora a neve é muito pesada quando tento limpá-la com a pá. 
As correntes de ar são cada vez mais fortes.
Mas isto deve de ser por causa da maneira como fabricam as janelas agora. 
As pessoas agora são mais jovens do que quando eu tinha a idade delas.
Eu fui recentemente a uma reunião dos antigos alunos da universidade, e fiquei chocado de ver as crianças, quase bebês que hoje admitem como estudantes. 
Mas tenho de reconhecer que eles parecem ser mais educados do que quando nós éramos alunos.
Alguns até me trataram por “senhor”…
Um deles até se ofereceu para me ajudar a atravessar a rua.
Fenômeno paralelo: As pessoas da minha idade são mais velhas do que eu. 
Tenho notado que a minha geração aproxima-se daquilo que é costume chamar-se uma certa idade, mas isso não é uma razão para que os meus camaradas de classe tropecem nas pedras das calçadas.
Daquela vez, no bar da universidade encontrei um antigo camarada. 
Ele tinha mudado tanto, que nem sequer me reconheceu !!!

NR-1) Philippe Noiret (Lille1 de outubro de 1930 — Paris23 de novembro de 2006) foi um ator francês. Recebeu dois prêmios César e é sobretudo reconhecido pela sua participação nos filmes Cinema Paradiso de Giuseppe Tornatore e Meus Caros Amigos, de Mario Monicelli.

NR-2) Este texto nos chegou através da amiga Jandyra Adami, em português de Portugal. Para a maioria dos brasileiros, palavras como atacadores (cadarços), fatos (roupa, vestuário), bébé (bebê, criancinha) e outras tornariam o texto difícil de ser entendido completamente. Isso, sem contar as palavras como fenômeno que lá ainda se escreve fenómeno. (E a reforma ortográfica?) Fizemos a troca das palavras para dar uma clareada nele, já que a maioria dos nosso leitores são brasileiros.

(ESTE POST É DEDICADO A MINHA AMIGA ZELLE VS -USA-, UMA CATEDRÁTICA DO TEMA CINEMA)

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Responses

  1. En una clave de humor realista, Noiret me hace sentir identificada con ciertas lineas… sera que yo tambien como el, estoy entrando en una cierta edad? No lo creo! 🙂 Pero es cierto que veo a jovenes mucho mas educados que cuando yo era una cria. Tambien es cierto que el clima no es facil de soportar, especialmente el verano! Aqui entra en juego lo de que ” en la infancia todo es juego, nada es molesto, solamente las lentejas”! Noiret me fascino en Cinema Paradiso, y me llevo a un mundo recordado por el cine mas autentico: el cine de un pasado dorado. Besos, Dirceu!

  2. Zelle, querida!
    Achei seu comentário cheio de humor e cheguei até mesmo a dar boas gargalhadas. Eu sim, me identifiquei bastante com o grande ator; ainda por cima, embora já esteja com 65 anos de idade, tento fazer coisas de pessoas mais jovens e depois sinto dores por todo o corpo… jajajajajajaja
    Mas, lembro-me bem de Noiret em Cinema Paradiso… Quanto sonho! Lindíssimo!
    Um beijo Zelle!


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