Publicado por: Dirceu Rabelo | 20/11/2012

O ESPIRITISMO É SIM UMA RELIGIÃO

O ESPIRITISMO É SIM UMA RELIGIÃO

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Ouve-se frequentemente a pergunta: “O Espiritismo é religião?” E muitas vezes os espíritas não sabem responde-la.

A confusão a respeito provém das campanhas religiosa contra o Espiritismo. As Igrejas Cristãs, descendentes direitas da Igreja Judaica, definem-se como religiosas nos termos tradicionais do formalismo de suas organizações e do culto exterior calcado nos vários cultos dessa natureza que lhes serviram de modelo, em primeiro lugar o judeu e depois os mitológicos, com substanciais influenciais de Ordens Ocultas como a Maçonaria. As vestes sacerdotais, os paramentos do culto, os instrumentos sagrados — nada disso é de origem cristã, pois o Cristo não se interessou pelos cultos formais e só ensinou o cultivo interior do espírito.

Algumas expressões dos Evangelho, alguns gestos e atitudes do Cristo deram motivo à adaptação de ritos e sacramentos judeus ou pagãos pelos cristãos. Como o Espiritismo, fiel ao espírito da renovação cristã, não aceitou o culto exterior, a organização clerical profissional, nem rituais, as Igrejas Cristãs fundaram-se nisso para declarar que o Espiritismo não era religião. Ligadas aos Estado, elas tiveram facilidade de influir nos organismos estatais para fazerem prevalecer a sua tese. Até hoje, no Brasil e em muitos países certos organismos estatais, principalmente quando influenciados pela Igreja, negam ao Espiritismo o seu caráter de religião.

Mas os espíritas precisam saber que o Espiritismo é religião e o Centro Espírita, geralmente religioso, deve insistir no esclarecimento desse problema em suas reuniões.

Não se trata de querer-se obter regalias governamentais para os Centros, mas de se colocar a verdade do fato. E esse fato é aquele que Kardec esclareceu com segurança desde o início do movimento espírita: o Espiritismo é a Ciência do Espírito e de suas relações com os homens; dessa Ciência resulta uma Filosofia e dessa Filosofia as consequências religiosas do Espiritismo, que constituem a religião Espírita.

Kardec, como Jesus, não era clérigo de nenhuma religião. Foi pedagogo, cientista e filósofo, diretor de estudos da Universidade de França. Ao enfrentar o problema das manifestações espíritas, que no seu tempo agitavam a América e a Europa, encarou-as como cientista. Observou e pesquisou os fenômenos espíritas, como os cientistas observavam e pesquisavam os fenômenos físicos, descobrindo-lhes as causas, identificando a sua origem, a natureza e descobrindo as leis que os regem. Desse trabalho minucioso e aprofundado, no conforto de hipótese diversas, nasceu no mundo a Ciência Espírita.

Grandes nomes das Ciências no século passado e neste século continuaram na linha de pesquisa de Kardec e confirmaram a validade das suas descobertas. Surgiram depois as ciências correlatas, entre as quais se destacaram a Metapsíquica de Richet, a Psicobiofísica de Notzing e por fim, a Parapsicologia atual, todas elas filhas do Espiritismo. A Parapsicologia foi a derradeira e decisiva confirmação do acerto de Kardec e com ela, sob a designação de fenômenos paranormais, os fenômenos espíritas integraram-se nos quadros científicos.

A Ciência Espírita revelou a face oculta da realidade que conhecemos e em que vivemos. Levantou as cortinas que ocultam os bastidores do palco em que representamos os nossos papéis e duplicou os conhecimento humanos, até então restritos ao plano exterior das manifestações da vida.

Cada avanço significativo das Ciências no conhecimento do mundo transforma a nossa concepção da vida e do mundo, gerando uma nova Filosofia e uma nova moral. E a Moral, por sua vez, determinando novas regras de comportamento do homem no mundo, ante os mistérios da vida e da morte, gera uma nova posição religiosa. A Religião Espírita é a consequência natural da descoberta científica da sobrevivência e continuidade do homem após a morte.

Cientificamente não se pode provar a imortalidade, pois não dispomos de recursos nem de tempo para constatar objetivamente que o homem é imortal em sua essência, mas testemunho dos Espíritos Superiores e as consequências lógicas da sobrevivência do homem após a morte nos levam fatalmente à ilação da imortalidade, que o Espiritismo aceitou em seu campo religioso, bem como em sua Filosofia.

A Religião Espírita se funda nas provas cientificas da sobrevivência e da comunicabilidade dos Espíritos com os homens através dos fenômenos paranormais (hoje comprovados cientificamente pela Parapsicologia), na existência de Deus como causa inteligente e primária de todas as coisa e de todos os que seres e nas relações possíveis entre o Homem e Deus através do sentimento religioso inato no homem, na forma de uma lei de adoração e reverência aos poderes superiores que regem o Cosmos em sua plenitude.

Paralelamente ao desenvolvimento das pesquisa espíritas, as pesquisa sociológicas, antropológicas e filosóficas sobre a Religião levaram a cultura atual a rejeitar o antigo conceito de Religião como organismo social doado de sistemas tradicionais. A existência de religiões desprovidas desses requisitos normais, a começar da simplicidade das religiões primitivas, e o aprofundamento dos estudos a respeito mostraram que o fenômeno religioso independe dessas condições artificiais. Com a tese de Henry Bergson sobre as origens da Moral e da Religião o problema se esclareceu, dando razão ao anúncio de Jesus e às profecias bíblicas sobre a interpretação em espírito e verdade que não se entrosava nos modelos. Bergson estabeleceu a distinção entre as religiões estáticas do formalismo social e a religião dinâmica e independente que se sobrepõe a todo formalismo.

A Religião Espírita apareceu então, no quadro das pesquisas, como o modelo ideal das religiões do futuro. Firmada apenas no sentimento religioso, na lei de adoração da tese espírita, a nova Religião apresentava-se liberta dos aparatos do culto exterior, das pesadas e custosas organizações clericais hierárquicas e da suntuosidade arrogante dos templos. A Religião se libertava dos interesses humanos, das ambições de poder e supremacia dos clérigos e voltava-se para Deus.

O problema da Revelação, que caracteriza as Religiões Reveladas, orgulhosas de sua origem divina especial, foi colocado por Kardec no campo das manifestações espíritas, ou seja, da fenomenologia paranormal, e sujeita ao controle dos homens. A Religião Espírita é também revelada, mas através de uma conjugação humano-divina. Os Espíritos Superiores fizeram revelações a Kardec, mas ele não as considerou válidas, reais, enquanto não pôde comprovar sua veracidade através das pesquisas. Kardec formulou a tese da dupla revelação: a que é dada por entidades espirituais ou por homens dotados de poderes paranormais e a que é feita pelos cientistas que investigam a Natureza, descobrem os seus segredos e os revelam no plano científico. É dessa dupla revelação rejeitada pelos místicos e os supersticiosos, que se constitui a Religião Espírita, que não se acomoda na fé cega mas exige a fé raciocinada, sancionada pelos fatos e pela razão esclarecida. Era o fim das fábulas e das superstições, o encontro da razão humana com a Verdade Divina.

A importância desse acontecimento histórico foi negligenciada pelos comodistas da tradição supersticiosa e o Espiritismo foi acusado de reviver no mundo, em plena Era Científica, as mais baixas superstições do passado longínquo. Kardec esmagava a superstição com o poder, perquiridor da razão, e os místicos de braços dados com positivistas e materialistas o condenavam como supersticioso. Mas, apesar de todas essa injustiça e de todas as campanhas difamatórias desencadeadas no mundo contra o Espiritismo, o tempo se incumbiu de dar ao seu dono. Hoje, as pessoas realmente cultas e sinceras, estudiosas e livres de preconceitos, sabem que o Espiritismo dos simples é apenas um reflexo do Espiritismo dos sábios, que os próprios sábios materialistas são obrigados a reconhecer como válido. Só criaturas sistemáticas, retardatárias, preconceituosas ou sectárias, incapazes de abrir a mente fechada nas idéias feitas para a compreensão da realidade, continuam a negar a verdade espírita e ao mesmo tempo a sofrer sob o guante invisível dos espíritos obsessores. Porque a seita religiosa fechada é irmã da seita científica amarrada aos seus preconceitos.

Escrito por José Herculano Pires no livro “O CENTRO ESPÍRITA” 

Fonte: Kardec Online

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