Publicado por: Dirceu Rabelo | 29/09/2013

CLÁUDIO CAVALCANTI – A GENEROSIDADE EM ESPÍRITO.

CLÁUDIO CAVALCANTI –

A GENEROSIDADE EM ESPÍRITO (*) 

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Dirceu Thomaz Rabelo

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Hoje, neste meu espaço, quero contar um caso acontecido no meio artístico, mais precisamente num estúdio de novelas da TV Globo do Rio de Janeiro e ao mesmo tempo, prestar uma homenagem ao maior ator que já conheci e que Deus ungiu de grande caráter, humildade e generosidade. Esse ator se chama Cláudio Cavalcanti e embora não seja o protagonista da novela do SBT, “Amor e Revolução” de Tiago Santiago, está dando o que falar, por sua interpretação incontestavelmente maravilhosa. Não precisa ser ou ter sido ator para conhecer o trabalho desse grande ator.

Ele interpreta um líder camponês, Geraldo Cordeiro, militante comunista, na década de 1960 e que se viu às voltas com os militares e com o DOPS  (Delegacia de Ordem Política e Social) da época, sendo torturado quase à morte.

Acompanho a novela, que me leva a dormir tarde, mas que vale a pena pela excelente direção de Reynaldo Boury, com quem já fiz alguns trabalhos na Globo, e pelo grande elenco encabeçado pelo Cláudio e pelos também grandes atores, Reinaldo Gonzaga, Graziella Schmitt, Cláudio Lins, Gustavo Haddad e muitos outros.

Lembro-me de outro grande trabalho de Cláudio Cavalcanti na Globo, em 1984, na minissérie “Padre Cícero”, quando ele viveu um repressor: o bispo DOM JOAQUIM. Nunca me esqueci desse fato, por causa do nome da minha cidade natal.

Já prestei a homenagem a Cláudio Cavalcanti e agora conto o caso acontecido quando eu gravava uma cena de uma novela, que não há santo que me faça lembrar o nome dela. O diretor da dita novela era o mesmo Reynaldo Boury, e no tal dia, ele estava com a “avó atrás da cerca”. Ninguém estava aguentando o mau humor dele.

Eu tinha uma cena com o Cláudio, onde eu fazia um jornalista que entrevistava o personagem dele com muitas falas. Com receio de errar o texto, e como eu estava com um bloco de papel na mão, mais que depressa coloquei uma “dália” ou cola no meio do bloco. Quando o Boury mandou que a gente passasse a cena para o ensaio, este notou que eu estava dando uma sacada no texto e parou o ensaio para me dar o maior esculacho em pleno estúdio, para todo mundo ouvir.

Claro que eu fiquei envergonhado e puto com ele, mas sem responder e o esporro foi tanto que o Cláudio entrou a meu favor e contemporizou:

– Ora, vamos lá Boury! O Dirceu é ator novo e deve estar nervoso. Qual o problema? Vou passar o texto com ele!

O Boury aceitou a sugestão do Cláudio, não sem antes sair resmungando que a produção tinha arrumado “ator amador” para fazer a cena.

O Cláudio passou a cena comigo duas vezes, e nas duas vezes nós não erramos nada. Ele ainda se aproximou de mim e perguntou:

– Dirceu, agora você está seguro para gravar, ou quer ensaiar mais?

Eu falei pra ele: – Cláudio manda lá e confie em mim!

E gravamos uma das cenas mais bonitas que eu, na minha meio fracassada carreira artística pude contracenar com alguém. E este alguém era Cláudio Cavalcanti, ali em minha frente, um protetor, uma segurança, uma mão amiga.

Terminada a cena e depois de revisada e dada como valendo de primeira, recebi um abraço de parabéns do mano Cláudio que me emocionou muito. Talvez ele não se lembre mais disso. Eu nunca me esqueci.

Nunca mais me esqueci daquele amigo, irmão, camarada.

Quanto a Boury… Que Deus o perdoe!

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(*) Estou publicando novamente esta crônica, em homenagem póstuma, pela desencarnação do grande amigo, o ator Cláudio Cavalcanti nesta data, no Rio de Janeiro. Fiz uma pequena mudança no título original: onde está “espírito”, lia-se, “pessoa”. Que Deus o abençoe, grande e bondosa alma!

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Responses

  1. Caro amigo Dirceu.
    Prestei uma homenagem ao querido Claudio em meu mural. Vou colocar seu nome para direcioná-lo, vá lá, por favor. Quanto a seu lindo texto, valeu por dois motivos, um, muito nobre, que é o dever incansável que temos de louvar o Claudio e pessoas que, tal qual esse amigo, escolhem a bondade para a relação entre as pessoas.
    Sim, o Claudio sempre foi um exemplo dos melhores sentimentos, deixa o mundo muito mais pobre sem ele.
    O outro motivo, se serve de consolo, também fui vitimada pelo abominável mau humor do Boury, mas entendo que realmente, viver é saber manter o equilíbrio dos dois pratos da balança e que às vezes, o prato Claudio pesa muito mais e em outras vezes, é o prato do Boury que pesa mais.
    O equilíbrio desses pratos dependerá de nós, mais uma vez.
    Lamentavelmente, essas coisas só acontecem quando somos muito jovens e não temos ainda esse senso de equilíbrio.

  2. Generosa e cara amiga Marília,
    Tudo o você e eu dissemos sobre o Cláudio é pouco para defini-lo. Só mesmo quem conviveu e contracenou com ele, dividiu camarins, para saber um pouco de sua bondade e de seu amor ao próximo. Não tenho dúvidas de reafirmar que nosso irmão Cláudio é um espírito muito superior a nós que veio para nos ensinar muitas coisas e conseguiu. Tanto que perdoamos o diretor que em tantas oportunidades nos admoestou por causas mínimas.
    Cláudio está, com certeza, muito bem no Plano Espiritual e isso nos faz mais tranquilos quanto à sua partida momentânea.
    Um beijo! Vou lá na sua página agora.

  3. Muito bom

    Enviado via iPhone

    >

  4. Caro Mestre,
    Que Jesus o abençoe abundantemente!
    O que falei aqui foi apenas uma mostra do que penso do nosso irmão recentemente desencarnado Cláudio Cavalcanti. Privilégio ter convivido com ele, mesmo que por pouco tempo.
    Grande abraço fraternal!


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