Publicado por: Dirceu Rabelo | 13/12/2013

MEUS AMORES ANIMAIS

MEUS AMORES ANIMAIS

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Dirceu Thomaz Rabelo

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GATOS DORMINDO

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Tolos, aqueles que dão de ombro quando falamos de nossos amores pelos animais e sua reciprocidade. Pobres daqueles que ainda não descobriram que os animais têm espírito, mesmo que em estágio ainda embrionário da evolução. Tenho mesmo muita pena daqueles que não compartilham este amor com nossos amiguinhos, por perderem preciosos momentos de alegria e prazer com eles, por pura ignorância ou preconceito.

Pior ainda, para aqueles que nos ridicularizam por nos apegarmos em demasia, segundo eles, aos animais. Eles se esquecem de que guardamos muito amor conosco, ou não têm a capacidade que temos de distribuir nosso amor aos nossos entes queridos e nossos animais. Somos pais, avós, filhos, maridos, esposas e amamos (como eles) nossos familiares e temos amor de sobra para repartir com todos, assim como nos ensinou o Mestre Jesus.  

Perguntem àqueles que têm animais – e por isso mesmo os adora – se não é maravilhosa essa relação, e se não começariam tudo de novo com seus amiguinhos.  

O amor que eles têm por nós é coisa fantástica que já foi cantada e decantada em crônicas e versos, em matérias de jornais e televisão e em livros inteiros. É só acompanharmos pela mídia diariamente, que lá estão os fatos já corriqueiros desses nossos amiguinhos cada vez mais humanizados e próximos de seus donos. Somos deuses para eles!

Como eles nos amam verdadeiramente, têm grande devoção e idolatria por nós, seus míseros “donos”, sejamos ricos, donos de palacetes ou mendigos, com moradia debaixo de um viaduto. Seu puro amor, sem cobranças, ensina-nos que para eles, o verbo amar se conjuga somente na primeira pessoa do singular do presente do indicativo: EU AMO!

Já nós, vamos passando do carinho superficial dedicado a eles, ao amor mais profundo e bonito, sincero, quase igual – se não for igual – ao que temos pelos humanos que tanto amamos. Pode chocar a alguns, esta nossa afirmação, mas não chocará àqueles que amam seus animais.

Já tive vários cães e gatos em minha vida. Cibele era a cadela vira latas mais humana e maternal que já vi e não era minha; era de todas as crianças que passavam as férias na Fazenda do Candonga, dos tios Antônio e Assunção. Parece que ela fazia questão de parir em dezembro, época das nossas férias para que pudéssemos apreciar e carregar no colo suas crias. Ficava alegre, serelepe e dando “chicotadas” com o rabo em nossas pernas de tanta satisfação ao mimarmos seus filhotes. Ela chegou ao cúmulo de certa vez, nós meninos mais crescidos, e, portanto, já não ligando muito para ela, ir debaixo da casa da fazenda e trazer de lá um filhote e colocá-lo aos nossos pés, como a dizer: – Ei! Já se esqueceu? Aí está meu rebento… Quem pode aguentar tamanha inteligência e admiração, meu Jesus?

Já se foram Maga, Cibele, Pandora, Baby, Paloma, Pantera, Mikita, Camões, Negão e muitos outros cães, gatos, cavalos e galinhas. Estão comigo hoje Ximbica e Tutuspléh. Por sinal, a maioria fêmea. As duas últimas são gatas, e como já disse na crônica “O amor de uma gata”, dispensam a nós um amor especial, felino, meio distante, mas, sincero.

Esta crônica já estava quase pronta, ou melhor, rascunhada, quando em primeiro de julho passado, uma sexta-feira, à noite, cansado de tocar os gatos machos dos vizinhos que estavam entrando pela janela da cozinha para roubar ração, e eles eram muitos, quando “um dos gatos” de três cores, não quis ir embora quando tocado. Pensei: – Vai me encarar?

Ficamos ali, “o tal gato” e eu, olhos nos olhos. Ele continuou a comer e a olhar para mim como se eu fosse seu dono. Sentei-me no chão e percebi que era uma gata e já de certa idade, mas muito bonita; branca, preta e amarela, com um pequeno corte na orelha esquerda. Como me sentei no chão, ela se aproximou, resvalou seu corpo sedoso em mim, ronronando e o amor se deu…

Dei-lhe o nome de Juliana, pois ela chegou bem no começo de um gelado mês de julho e descobri depois que ela tinha grave infecção no ouvido e corrimento vaginal sério. Com certeza, o dono descobriu as doenças dela na velhice e a descartou. Deus me deu o privilégio de recebê-la.  Já estava tratada, brincando, se alimentando bem e com o pelo sedoso.

Um fato interessante em Juliana: tinha pavor de cães, mesmo do latido destes, mas se comportava como se fosse um deles e nunca como felino. Era carinhosa como um cãozinho e queria sempre ficar perto do dono. Tinha que ficar esperto na cozinha para não pisar na bichana com psique canina. Bem, ela foi enviada a mim por Deus, pois recebeu medicamentos, carinho, alimentação e muito amor, mas não resistiu às infecções e partiu rápido, sem nem ao menos esperar o próximo julho chegar e já me arrancou lágrimas na despedida. Dei-lhe um enterro  digno e como ela deveria querer; bem debaixo no pé de manga, onde ficava deitada nos dias quentes de dezembro.

Para vocês que não gostam de animais e que nos criticam, peço que leiam esta minha crônica e morram de inveja. Somos amados por nossos entes queridos e por nossos pequenos amiguinhos. Dizem que temos, por isso, créditos com o Senhor… Nem precisava, mas se os temos que venham em forma de mais animaizinhos para cuidarmos.


Responses

  1. Eu também amo os animais e tenho muita afinidade com os gatos. Esse bichinho que sofre tantos preconceitos e maus tratos por parte de pessoas ignorantes e insensíveis. Já tive muitos gatos!
    A minha admiração e a minha benção a todos aqueles que estão dispostos a cuidar e a amar esses nossos amiguinhos de jornada.

    • Eu também tenho atualmente duas gatas que são graciosas e carinhosas. Trato-as com muito carinho e amor e recebo tudo ao triplo, ou mais. Elas são até exageradas, pois se durmo até mais tarde, elas não “se conformam” e arranham minha janela, miam altíssimo, até que eu acorde. só assim, elas param com o alvoroço. E não é por falta de comida ou água, pois todas as noites eu encho as vasilhas delas. É amor mesmo, Nilza!
      Grande abraço fraternal!

  2. Olá Sr. Dirceu, caro amigo! Adoro ler seus causos e perceber sua sensibilidade para responder às angústias dos irmãos que sofrem a perda de seus amados bichinhos. Você é sim um ser humano iluminado, e sua luz ajuda a aclarar os corações e mentes sombreados pela dor e pela tristeza… Mas agora eu vim aqui só pra perguntar uma coisa, cadê o texto da galinha cega Paloma que recebi por e-mail, não achei aqui no blog e a história é tão linda! Aguardo retorno com o link do texto, pois adoraria comentar lá! Abraços fraternos.

    • Querida amiga e irmã Bia!
      É que eu não publiquei a crônica “Ai que Saudades da Paloma!” aqui no blog… Ela foi publicada com muito sucesso, no Facebook e devo publicá-la junto com outras crônicas num futuro livro só de crônicas, que chamarei de “Crônicas dom-joaquinenses”, porque falam das coisas daqui de minha cidade, Dom Joaquim/MG
      Mas, Para matar a curiosidade de outras pessoas que queiram conhecê-la, vou postá-la aqui:
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      AI QUE SAUDADES DA PALOMA!
      .
      Dirceu Rabelo
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      De uma ninhada de onze pintinhos, de uma de minhas galinhas que eu já tive no meu terreiro, aqui em Dom Joaquim, um deles mostrou-se diferente dos outros. Logo que eu os tirei do ninho onde nasceram, levei-os para um cercadinho com a galinha mãe e num canto coloquei um recipiente raso com água, para eles beberem e não se afogarem e no outro canto, uma caixinha de madeira com ração própria para pintinhos.
      Logo que se viram no chão, a galinha chamou os pintinhos para a caixinha de ração e todos correram em sua direção, menos um que ficou batendo cabeça por todos os lados, sem encontrar a mãe e os irmãos.
      Começava ali uma pequena história de amor entre aquele pintinho e eu. Alguém sugeriu descartar (matar) o pintinho pelo trabalho que ele, com tal deficiência, me daria. Eu quase “matei” o sujeito pela sugestão incabível. E minha defesa pela vida do animalzinho foi simples: se Deus o colocou em minha vida, foi porque o Criador sabia que eu lhe daria carinho e tudo aquilo que sua mãe, irracional, não poderia dar.
      O começo foi meio complicado para mim e para o bichinho, pois eu tive que dar a ele os ensinamentos de tudo aquilo que sua mãe estava passando aos seus irmãos e não a ele. Quando a galinha chamava os pintinhos para comer, eu batia com um pedaço de pau com pequenos toques na caixinha de ração e fazia o mesmo depois na vasilha de água, até que ele aprendeu os dois caminhos. Até o final de sua vida, aquelas vasilhas permaneceram no mesmíssimo lugar; nem um milímetro fora.
      Quando os pintinhos começaram a sair com a galinha para passear pelo quintal, ele permanecia preso tomando sol ou na sombra. Quando começou a crescer, vi que o pintinho era na realidade uma franguinha e foi aí que lhe dei o nome de Paloma. Uma homenagem a uma paixão não correspondida que eu tive no Rio de Janeiro. Nada pessoal…
      Quando a galinha largou os pintinhos, ela já era independente e já atendia pelo nome e “se alegrava” quando eu chegava a seu cercadinho, reconhecendo minha voz. Eu fazia carinho nela e meus sobrinhos que ainda eram novinhos, morriam de dó dela e achavam-na a coisa mais linda. E era!
      Bom, Paloma, por ser cega, andava meio desengonçada, dando assim uns passos estranhos e com o pescoço esticado para cima. Troço bem gozado, mas bonitinho. Mas ouvia qualquer barulho, por menor que fosse. Eu chegava às vezes bem devagar e ela ficava cabreira e aí eu a chamava bem baixinho:
      -Paloma! Paloma!
      Ela olhava para o lugar onde eu estava. Aí eu jogava uma pedrinha do outro lado do cercado e ela se virava depressa para lá. Eu morria de dó dela. Quando eu começava a rir ela corria para o meu lado e encostava-se em mim e, com certeza sentia-se segura. Um amor!
      Certo dia, Paloma arrumou o maior estardalhaço no galinheiro e como ela sempre esteve em silêncio sepulcral, estranhei e corri lá para ver o que havia acontecido. Talvez algum animal tivesse se aproximado… Qual o quê! Ela havia botado o seu primeiro ovo; a coisa mais estranha do mundo. Aquilo mais parecia um croquete; nunca um ovo. Tanto que ninguém quis comê-lo. Ela ali com o lho arregalado, como se o céu tivesse desabado. Fiz-lhe um carinho, dei-lhe um abraço e disse-lhe ao pé do ouvido que ela havia colocado o ovo mais lindo do mundo. Cruz credo! Mas ela deve ter entendido, pois continuou botando seus croquetes e fazendo estardalhaços que me emocionavam.
      Foi aí que me lembrei de que ela deveria ter contato com o galo para cruzar com ele. Afinal de contas, ela já não era mais uma mocinha. Eu a coloquei no galinheiro com as outras galinhas, mas as “penosas” começaram a bater freneticamente nela. Para que a “coisa” rolasse, eu tive que colocar as galinhas para fora do galinheiro e deixei só ela e o galo junto. Aí sim, rolou! Daí em diante eu já abria a porta do seu cercadinho e o galo fazia a festa com a ceguinha.
      Quando as galinhas se acostumaram com ela, eu a deixava solta dentro do galinheiro e aí ela descobriu a panelona debaixo de um pé de limão galego, onde eu colocava água e servia de bebedouro. Ali, ela bebia sua água tranquilamente.
      Só que num dia quentíssimo de janeiro, eu cheguei ao galinheiro e a procurei, chamei por ela e nada. Procurei fora do galinheiro, pelo quintal e nada também. Voltei ao galinheiro e lá estava ela, quietinha, deitada como uma madama dentro da grande panela de água. Ela tinha feito do bebedouro sua banheira de hidromassagem. Achei aquilo a coisa mais gostosa que um animalzinho sem recursos, deficiente, poderia fazer. Afinal, ela se virou sozinha, foi à luta para tornar a sua deficiência menos dura.
      Paloma continuou me proporcionando alegrias, ensinamentos e botando ovos feios, com a casca mole que ninguém tinha coragem de comer e morreu de velhice. E eu, ali do seu lado cuidando dela. Parece coisa de poeta, de cronista, mas é a pura verdade. Paloma existiu. Aliás, elas existiram: a galinha e a minha paixão não correspondida, que também batia suas asinhas. Ah, essas fêmeas…

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      Aí está querida Bia!
      Grande abraço e que Jesus a abençoe!


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