Publicado por: Dirceu Rabelo | 13/04/2011

BULLYING – UMA VIOLÊNCIA SILENCIADA.

Bullying – Uma violência silenciada.  

Por Ilana Ramos

  

 

Surgiu uma nova palavra no dicionário da mídia: bullying. Para quem nunca ouviu falar, ela esteve associada ao caso do jovem Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre de 12 alunos de uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro, em abril de 2011. Segundo os meios de comunicação, Wellington foi vítima de bullying, fato que talvez explique a forma tão violenta como ele agiu, chocando o Brasil e o mundo. Consultamos especialistas para entender melhor o que significa esse termo, como aplicá-lo em casa e quais os tratamentos possíveis.

Praticamente todas as crianças, de todas as gerações, sofreram, praticaram ou presenciaram a prática do bullying ao menos uma vez na vida. Ele pode vir na forma de comentários, brincadeiras, provocações e até por apelidos. A psicóloga e psicoterapeuta de crianças, adolescentes,casal e família Miriam Barros explica que “bullying é um termo que não tem tradução, mas está sendo usado em situações onde acontecem agressões de crianças e adolescentes em ambiente escolar”. Já a psiquiatra, doutora em medicina do Departamento de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e secretária adjunta da região sul da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) Alexandrina Malheiro resume o bullying como “exposição com deboche, que pode acontecer em qualquer fase da vida”.

Especula-se, inclusive que Wellington Menezes, o assassino de Realengo, sofria bullying na escola, que frequentou na infância. Alexandrina Malheiros ainda afirma que, dentre as muitas especulações em torno desse caso, é impossível chegar a alguma conclusão. “Não posso afirmar que esse rapaz sofreu bullying e que isso o levou a reagir dessa maneira extrema. Em 32 anos de experiência, já tratei pessoas que sofreram bullying em todas as idades, mas nunca vi nada parecido com isso. Fica difícil crer que foi só isso. Provavelmente, no entanto, não vamos descobrir a resposta, a verdade morreu com ele”, diz ela.

As vítimas do bullying, em geral, são escolhidas a dedo pelos agressores. “São aqueles que são mais fracos, que não têm voz para se defender, que não se impõem. Essas crianças, as mais quietas, acabam se isolando, sentem vergonha do que acontece com elas, não procuram os pais, os professores ou responsáveis. Os agressores, de maneira geral, são aqueles mais extrovertidos, que conseguem impor certa liderança ao grupo que pertencem. Podem ser reconhecidos por não demonstrarem respeito pelo outro e não saberem lidar com as diferenças”, identifica Miriam.

Apesar de ser mais comum e evidente em idade escolar, o bullying pode acontecer em qualquer fase da vida. “A diferença é que, entre adultos, em ambiente social ou de trabalho, o nome passa a ser assédio moral ou abuso social. As consequências, no entanto, são as mesmas em todas as idades: cria-se um mecanismo de adaptação. Ele pode se manifestar de várias formas: negativas – ansiedade, depressão, dependência de drogas – ou positivas – a criança pode se tornar um bom aluno, socializar mais, emagrecer”, enumera Alexandrina.

Ao primeiro sinal de bullying, seja por parte do agressor ou do agredido, o conselho é o mesmo: busque o apoio de um especialista. “Quanto mais cedo o problema for detectado, melhor. Os pais precisam reagir, falar com a escola e, se possível, conseguir até que o agressor se retrate e peça desculpas. Mas o tratamento psicológico é recomendado para crianças e adultos, até para avaliar a profundidade da agressão”, finaliza a psicóloga.

 

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